quarta-feira, 6 de junho de 2012

Reanimação Cardiopulmonar - Assistência de Enfermagem na Unidade de Terapia Intensiva


 Reanimação Cardiopulmonar













Assistência de Enfermagem na Unidade de Terapia Intensiva

Objetivo Geral

Realizar manobras de reanimação respiratória e cardiorrespiratória. Fazendo com que o pulmão e o coração assumam suas funções, que é bombear o sangue e oxigenar o nosso organismo.

As manobras de reanimação cardiopulmonar visam instituir, mecanicamente, ventilação e circulação produzindo perfusão cerebral.

Como Reconhecer

•         Inconsciência
•         Ausência de batimento cardíaco.
•         Ausência de pulsação (critério isolado mais confiável) grandes artérias – carótidas, femorais
•         Apnéia
•         Pele fria e amarelada
•         Midríase
•         Cianose labial e nas extremidades.

Observação Importante

A parada cardíaca e a parada respiratória podem ocorrer separada ou juntamente,mas a ocorrência de uma, em pouco tempo,acarretará na ocorrência da outra.

Execução do Procedimento

Abordágem Primária

 C - Verificar Circulação

•         Deve-se verificar a pulsação da artéria carótida
•         Coloca-se os dedos indicador e médio de uma das mãos sobre o “pomo de adão”, os dois dedos são deslizados para a região situada entre a traquéia e a lateral do pescoço, verificar de 5 a 10 segundos a existência ou não de pulso.
•         Havendo pulso e não respiração, deve-se apenas insuflar o paciente a cada 3 a 5 seg.
•         Não havendo pulso,inicia-se as compressões torácicas.
•         Se o paciente não tem pulsação (circulação): Inicie imediatamente compressões torácicas.

A - Abertura de Vias Aéreas

•         Elevar a cabeça do paciente.
•         Remover obstrução da cavidade oral.

B - Verificar Respiração

•         Paciente não respira?
•         Inicie imediatamente, ventilação por pressão positiva (AMBU), conectado a fonte de oxigênio.

Aboradagem Secundária

Compressões Torácicas

•         Realizada no osso esterno,
•         Mãos entrelaçadas, com a base da mão esquerda sobre o esterno, e mão direita sob a mão esquerda.
•         Braços e cotovelos estendidos, sem flexioná-los,  com os ombros alinhados em relação á coluna cervical da vítima
•         Os dedos devem estar afastados da caixa torácica da vítima (prevenindo lesões)
•         O socorrista deve usar o peso do seu corpo para auxiliar nas compressões
•         Não retirar as mãos do ponto de compressão

Reanimação Cardiopulmonar

•         É bom lembrar que condutas isoladas não promovem perfusão encefálica eficaz, portanto, para que haja oxigenação cerebral adequada, devem ser realizadas ventilação e compressões cardíacas externas de maneira sincronizada.

Seqüência da RCP na UTI

•         30 Compressões torácicas.
•         02 insuflações (ventilação por pressão positiva).
•         De forma sincronizada.
•         Durante as manobras de RCP, medicações e reposição volêmica podem ser necessárias.

Complicações da RCP

•         Fratura de costelas, pneumotórax, lesões na região abdominal.
•         Apesar destas complicações a compressão torácica não deve ser interrompida ate que a vitima retorne.

Quando Parar a RCP?

•         Após manobras de RCP sem sucesso.
•         Após manobras de RCP com sucesso.
•         Por decisão médica.

Quando não iniciar a RCP?

•         Doenças terminais e malignas,
•         Falência múltipla dos órgãos,
•         Morte encefálica
•         Por decisão médica,

Fármacos Utilizados

São usados para aumentar a perfusão coronariana, corrigir a hipoxemia, aumentar a força de contração do músculo cardíaco, aumentar a perfusão cerebral e corrigir os distúrbios ácido-base e eletrolítico.

Eles devem ser administrados o mais rápido possível, de preferência durante a carga de desfibrilação.

•         Oxigênio: Cuja finalidade é reduzir a hipoxemia,
•         Adrenalina: Responsável pela restauração do tônus vascular, propiciando um melhor fluxo sanguíneo, cerebral e coronariano,
•         Vasopressina: Atua como vasoconstritor melhorando a perfusão coronariana,
•         Bicarbonato de Sódio: Responsável pela correção da acidose metabólica,
•         Atropina: Utilizada na bradicardia, atua diretamente na função elétrica do coração,
•         Cálcio: Atua adversamente nas arritmias,
•         Os fármacos vasoativos (noradrenalina, dopamina e dobutamina): Aumentam a força de contração do coração.

Referências Bibliográficas

•         Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR. Capítulo 9. Ressuscitação cardiopulmonar.

•         Protocolo de ressuscitação cardiopulmonar - Atualização do protocolo de ressuscitação cardiopulmonar para enfermeiros . Acessado em http://jeffersonenfermagemuti.blogspot.com.br/2009/06/protocolo-de-ressuscitacao.html - Dia 21/05/12 as 16:00.

Por:

•         CUNHA, Amarildo de Souza. Enfermeiro - Especializando em Terapia Intensiva.



quinta-feira, 24 de maio de 2012

Enfermagem na Parada Cardiorrespiratória


Enfermagem na Parada Cardiorrespiratória

Introdução

A parada cardiorrespiratória (PCR) ocorre quando há interrupção súbita dos batimentos cardíacos e da respiração. O sinal evidente da PCR é ausência de pulso carotídeo e/ou femoral.

Os sintomas mais comuns são: a perda da consciência, apnéia, ausência de pulso e dos batimentos cardíacos e midríase.

O paciente em PCR pode aguardar até 5 minutos e ser revertido sem maiores danos.Porém a demora no atendimento em um tempo superior a este, poderá acarretar lesões cerebrais irreversíveis e/ou a morte.

As intervenções durante a ressuscitação devem ser realizadas, não apenas rapidamente, mas eficientemente.

Causas da PCR

•         Atividade física intensa.
•         Níveis muito baixos de potássio e magnésio no sangue. Esses minerais desempenham papel importante para os sinais elétricos do coração.
•         Grande perda de sangue.
•         Grave falta de oxigênio.
•         Doenças das artérias coronarianas.
•         Processos infecciosos.
•         Trauma.

Mecanismos da PCR

Existem três modalidades de PCR:

Fibrilação Ventricular (FV) e Taquicardia Ventricular (TV) sem Pulso: Principais causas de PCR, no adulto. Esse distúrbio do ritmo cardíaco é ocasionado por contrações desordenadas e inefetivas das células cardíacas. É o distúrbio do ritmo cardíaco mais comum nos primeiros dois minutos de PCR, no adulto.

Evolui, rapidamente, para assistolia, caso não sejam estabelecidas medidas de RCP. O único tratamento disponível para o controle desse distúrbio do ritmo cardíaco é a desfibrilação.

Não existe base científica que comprove a eficácia de qualquer medicação anti-arrítmica em reverter a FV/TV sem pulso. As medicações podem ser utilizadas como auxiliares, facilitadoras para que o estímulo elétrico possa reverter o ritmo para sinusal.
A FV/TV sem pulso é a modalidade de PCR de melhor prognóstico e, em princípio, os esforços de ressuscitação devem continuar até que o ritmo deixe de ser FV/TV (ou porque reverteu para sinusal, ou porque evoluiu para um ritmo terminal).

Atividade Elétrica sem Pulso (AESP): Nesse ritmo existe a presença de atividade elétrica no músculo cardíaco porém os batimentos não são eficazes e não há circulação sangüínea.

Assistolia: Corresponde à ausência total de qualquer ritmo cardíaco. É a situação terminal, não sendo indicado a desfibrilação.

A principal causa de assistolia é a hipóxia, o que justifica as ofertas de oxigênio e ventilação efetivas, como prioritárias no atendimento.
Evidências cada vez mais contundentes apontam que a identificação de assistolia deva corresponder ao término dos esforços.

No entanto, deve-se ter presente que, na situação de assistolia, mesmo a correção dessas causas, geralmente, não implica em resolução da PCR.
Desfibrilação

É constituída pela aplicação de corrente elétrica contínua, no tórax, através do coração, em seu maior eixo, cuja finalidade é promover a despolarização simultânea do maior número possível de células cardíacas. Espera-se que, como o nó sinusal é o primeiro a se despolarizar, ele assuma o comando, quando as células se repolarizarem após a desfibrilação.

A desfibrilação só deve ser utilizada na FV/TV sem pulso.

Diagnóstico da PCR

O diagnóstico deve ser feito com a maior rapidez possível e compreende a avaliação de três parâmetros: responsividade, circulação e respiração.

Responsividade: Deve ser investigada com estímulo verbal e tátil. O estímulo verbal deve ser efetuado com voz firme e em tom alto, que garanta que a vítima seja capaz de escutar o socorrista. O estímulo tátil deve ser firme.

Circulação: Deve ser investigada no sítio carotídeo, por ser o último a desaparecer e o primeiro a ser restabelecido numa situação de instalação e reversão de PCR.

Respiração: Realiza-se a manobra de desobstrução das vias aéreas. Existem duas manobras básicas para isso: hiperextensão da cabeça e elevação da mandíbula. Ambas são eficazes, embora a primeira seja proibitiva na possibilidade de trauma cervical.

Importante: A ausência de responsividade, dá suporte ao chamado por ajuda. O pedido de ajuda inclui a solicitação de desfibrilador, carro de emergência, e de suporte avançado de vida.

Assistência de Enfermagem

Após o diagnóstico de PR, PC ou PCR, devemos:
•         Posicionar a vítima adequadamente.
•         Suspeitando de trauma, manter cabeça, pescoço e tronco alinhados;
•         Marcar à hora do início da parada;
•         Calçar luvas de procedimento;
•         Colocar uma tábua rígida sob o tórax do paciente;
•         Iniciar compressões torácicas intercaladas com VPP;

Compressões Torácicas

De acordo com as novas diretrizes no atendimento da PCR de 2010, elaboradas pela Sociedade Americana do Coração (AHA – American Heart Association)  durante a compressão torácica deve ser  aplicado uma pressão suficiente para deprimir o esterno em cerca de 5 cm e retirar subitamente a compressão, permitindo o retorno da parede torácica. Manter uma frequência mínina de 100 compressões por minuto. Iniciar a RCP com 30 compressões e 2 ventilações. Após 5 ciclos de compressão-ventilação, verificar a presença de pulso.

Respiração

Nas novas diretrizes de RCP 2010, A Sociedade Americana do Coração (AHA – American Heart Association) eliminou do procedimento “ver, ouvir e sentir se há respiração”. A respiração será verificada quando o socorrista examinar a responsividade do paciente.

Conduta da Equipe de Enfermagem Antes da Chegada do Médico

•         Puncionar veia com jelco de maior calibre possível, de preferência na fossa antecubital, infundindo Solução de Cloreto de Sódio 0,9%, para manter acesso permeável. Se acesso periférico difícil, providenciar material para dissecção venosa, punção de subclávia ou jugular;
•         Checar o material para intubação: EPI’s (luvas estéreis, óculos, máscara, capote), tubos endotraqueais (nº 7,0 - 7,5 - 8,0 e 8,5), fio guia, laringoscópio (lâminas curvas e retas e cabo com pilhas de reserva), estetoscópio, seringa de 20 ml, cadarço;
•         Checar material para aspiração (frasco de aspiração, 2 borrachas, sonda de aspiração, luva estéril, máscara, óculos de proteção)
•         Quando o setor estiver disponibilidade, o respirador deve estar conectar na saída de oxigênio e ar comprimidos, e devidamente testado.
•         Checar o desfibrilador: conectar cabos do desfibrilador no paciente para proceder monitorização cardíaca enquanto realizando RCP.

Conduta da Equipe de Enfermagem  Após a Chegada do Médico

•         Relatar tempo decorrido da parada e o que foi feito até o momento;
•         Oferecer EPI’s e material para intubação montado e testado (tubo com cuff testado e fio guia inserido, cabo e lâmina do laringoscópio conectados);
•         Segurar a cabeça do paciente (s/n);
•         Manter aspirador pronto para uso;
•         Avisar se a tentativa de intubação exceder 30 segundos (devendo preferivelmente ser inferior à 15 segundos);
•         Estar preparado para oxigenar e ventilar com bolsa-valva-máscara entre uma tentativa e outra;
•         Permanecer segurando o tubo após a retirada do fio guia e até ser fixado com cadarço;
•         Insuflar cuff do tubo injetando ar suficiente para ocluir a via aérea (geralmente 10 a 20 ml) com a seringa;
•         Oferecer estetoscópio para que ausculte e verifique posição correta do tubo;
•         Conectar ambú ao tubo e ventilar;
•         Confirmada a posição, fixar com cadarço, registrando a numeração em que está sendo realizada a fixação, soltar tubo e inserir uma cânula orofaríngea, se necessário;
•         Conectar o ventilador (VM);
•         Preparar e administrar medicações conforme solicitação médica;
•         Se possível, verificar a pressão do cuff evitando hipo ou hiper insuflação (20 a 30 mmHg);
•         Deixar a unidade do paciente em ordem;
•         Desprezar o material perfurocortante em recipiente de paredes rígidas apropriado e material descartável, contaminado com sangue visível, conforme procedimento - Plano de Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde;
•         Checar, repor e lacrar o “carro de emergência ” ,  registrando a data, o número do lacre, assinatura e Coren do responsável no impresso para Conferência do Carrinho de Urgência.
•         Checar a medicação ministrada nos impressos – Prescrição e Controle de Medicação e Tratamento ou na Transcrição e Checagem da Prescrição Médica.
•         Registrar o material gasto nos impressos.
•         Registro do Uso de Gases e Equipamentos.
•         Registrar todo o procedimento executado no prontuário do paciente.

Referências Bibliográficas

•         PAZIN FILHO A; SANTOS JC; CASTRO RBP; BUENO CDF & SCHMIDT A. Parada cardiorrespiratória (PCR). Medicina, Ribeirão Preto, 36: 163-178, abr./dez. 2003.

•         American Heart Association, 2010. Destaques das Diretrizes da American Heart Association 2010 para RCP e ACE.

Por: CUNHA, Amarildo de Souza. Enfermeiro – Especializando em Enfermagem em Terapia Intensiva.