domingo, 4 de junho de 2017

CENTRAL DE MATERIAL E ESTERILIZAÇÃO

Central de Material e Esterilização

















A Central de Material e Esterilização (CME) é uma unidade de serviço que presta apoio técnico a todas as unidades assistenciais de uma instituição hospitalar, que localizada dentro ou fora do estabelecimento de saúde, destina a receber material considerado sujo e contaminado, descontaminá-los, prepará-los e esterilizá-los, bem como, preparar e esterilizar as roupas limpas oriundas da lavanderia e armazenar esses artigos para futura distribuição.

Os materiais hospitalares, na sua maioria, têm uma associação importante com a infecção hospitalar, e aí vale lembrar que medidas eficazes deverão ser estabelecidas no processamento destes artigos, visando a minimizar o risco de infecção hospitalar. Estes artigos deverão ser submetidos a processos de limpeza, desinfecção ou esterilização para alcançarem os objetivos imprescindíveis.

A Resolução RDC nº. 307 de 14de novembro de 2002, considera a CME uma unidade de apoio técnico, que tem como finalidade o fornecimento de materiais médico-hospitalares adequadamente processados, proporcionando assim, condições para o atendimento direto e a assistência à saúde dos indivíduos enfermos e sadios de forma segura.

Estrutura Física da CME

É primordial que para um bom desempenho dos profissionais que trabalham nessa área, que a CME possua uma boa infraestrutura.

Com o propósito de evitar a ocorrência de infecção hospitalar, as paredes e pisos devem ser resistentes, laváveis, de cor clara, de fácil limpeza, lisos e sem nada que possam favorecer o acúmulo de sujidades. Tetos e portas devem ser de superfície lisa, clara, lavável, sem juntas, cantos e saliências dispensáveis, sendo que as portas ainda devem conter visores.

Na Sala de lavagem e descontaminação, as bancadas devem ter cubas fundas para evitar respingos no trabalhador, torneiras com disponibilidade de água quente e fria, adaptações para possibilitar a limpeza de tubulações e artigos com lumens e balcões em aço inoxidável, onde os materiais serão depositados para posterior secagem e separação.

Fluxo da CME

A CME é uma área crítica e o seu planejamento de fluxo dos materiais e roupas é: recebimento de roupa limpa/material, descontaminação de material, separação e lavagem de material, preparo de roupas e material, esterilização, guarda e distribuição.

A área de descontaminação e limpeza deve possuir uma barreira física com relação às demais áreas. Logo o fluxo deve ser unidirecional, permitindo que os materiais estéreis não se misturem com os não estéreis.

Classificação da CME

Atualmente, a CME classifica-se em três categorias, a saber: centralizada, semi-centralizada e descentralizada.

A centralizada é aquela que oferece concentração de todo o material esterilizado ou não, facilitando desta forma a qualidade e a quantidade de técnicas de higienização, limpeza e também avaliação de todo o material de uma maneira segura.
A semi-centralizada oferece a vantagem de que a esterilização do material é centralizada em um só lugar, mas cada unidade prepara seu material. Não chega a ser o ideal, mas torna a credibilidade da técnica em única, o que traz mais tranquilidade para o uso.
A descentralizada não deixa de trazer facilidades para aqueles que têm dificuldades na execução da prática. Resolve o problema para aqueles que se utilizam desta modalidade, constituindo, porém, uma preocupação com as consequências, como o desvio de material, protocolos e rotinas fora do padrão e falha na avaliação.

Segundo a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 307, de 14/11/2002, a qual altera a resolução anterior, RDC nº 50/2002 (21/02/2002) do Ministério da Saúde, a CME deve existir quando houver centros cirúrgicos, obstétricos e/ou ambulatoriais, hemodinâmica, emergência de alta complexidade e urgência.

Classificação dos Artigos a Serem Esterilizados

Os artigos hospitalares podem ser classificados em críticos, semi-críticos e não críticos.

Artigos críticos – entram em contato com tecidos estéreis ou com o sistema vascular e requerem a esterilizados para uso, pois possuem alto risco de causar infecção. Todos os artigos que entrarão em contato com o sítio cirúrgico, instrumentais e mãos do cirurgião e auxiliares.
Artigos semicríticos – são aqueles destinados ao contato com a pele não intacta ou com mucosas íntegras. Requerem desinfecção de alto nível ou esterilização.
Artigos não críticos – são artigos destinados ao contato com a pele íntegra do paciente. Ex.: comadres (aparadores), aparelhos de pressão. Requerem limpeza ou desinfecção de baixo ou médio nível.

Divisão da CME

A CME deve ser dividida em, no mínimo, três áreas: Descontaminação e Limpeza; Empacotamento, Desinfecção e Esterilização; Armazenamento e Distribuição.

A área de descontaminação e limpeza deve possuir uma barreira física com relação às demais áreas. Expurgo é a área onde é realizada a limpeza, descontaminação e consequentemente a reparação de todo material contaminado. Área esta que se caracteriza como um dos locais mais contaminados da CME.

A limpeza terá que ser rigorosa, pois a falha na mesma impede a esterilização devido à gordura e à sujeira que servem como proteção aos micro-organismos e atuam como barreira para o contato com agentes que fazem de fato a esterilização. Ela é a principal etapa do processamento de artigo; promove a remoção de sujidades (biofilme); remoção ou redução de microorganismos; bem como de substâncias pirogênicas (são substâncias não infecciosas, mas que podem gerar reações alérgicas e febris).

Biofilmes bacterianos são comunidades de bactérias envoltas por substâncias, principalmente açúcares, produzidas pelas próprias bactéria, que conferem a comunidade proteção contra diversos tipos de agressões que ela pode vir a sofrer como, por exemplo, a falta de nutrientes, o uso de um antibiótico ou algum agente químico utilizado para combater bactérias. 

Desinfecção é o método capaz de eliminar a maioria dos organismos causadores de doenças, com exceção dos esporos. É classificada em vários níveis e possui alguns fatores que influenciam na eficácia da sua operação. 
Alguns fatores podem interferir na eficácia da desinfecção, como: Limpeza prévia mal executada; tempo de exposição ao germicida insuficiente; solução germicida com ação ineficaz; temperatura e pH do processo 

A desinfecção pode ocorrer por três níveis: baixo nível, médio nível e alto nível.
Baixo Nível: Na desinfecção de baixo nível são destruídas bactérias em forma vegetativa, alguns vírus e fungos.  É eficaz, porém sobrevivem a este método esporos bacterianos, o vírus da hepatite B (HBV), vírus lentos e o bacilo da tuberculose.  As soluções utilizadas neste nível são o álcool etílico, n-propílico e isopropílico, o hipoclorito de sódio e o quaternário de amônia.
Médio Nível: Promove desinfecção contra os mesmos tipos que a desinfecção de baixo nível, porém, é eficaz também contra o bacilo da tuberculose, a maioria dos vírus e fungos. Sobrevivem a esse método, os esporos e os vírus lentos. As soluções utilizadas são o álcool etílico (70%) e isopropílico (92%), hipoclorito de sódio, fenólicos e iodóforos. 
Alto Nível: Nesse nível de desinfecção são destruídas bactérias, fungos e alguns esporos. Sobrevivem apenas alguns esporos bacterianos e os vírus lentos. As soluções adotadas são o hipoclorito de sódio, glutaraldeído, solução de peróxido de hidrogênio, cloro e compostos clorados, ácido peracético, ortophtalaldeído, água superoxidada. 

Esterilização: É o método que destrói todos os organismos patogênicos (bactérias, fungos, esporos e vírus) mediante a aplicação de agentes físicos, químicos e físico-químicos. Na escolha do método de esterilização é avaliado o material a ser submetido ao processo, considerando sua natureza e a resistência do mesmo a calor, vapor ou ambos. 

A esterilização pode acontecer por três métodos distintos, que são físicos, químicos e físico-químicos.

Métodos Físicos: São aqueles que utilizam calor nas mais variadas formas e radiações, dependendo da unidade hospitalar. O método mais utilizado é o de vapor saturado sob pressão (autoclave). Os materiais que podem ser autoclavados são: metais, tecidos, látex, borrachas, artigos termo-resistentes e líquidos.
Métodos Químicos: O método consiste em imersão dos artigos em líquidos esterilizantes, requerendo cuidados especiais. Esterilizantes químicos cujos princípios ativos são autorizados pela Portaria nº. 930/92 do Ministério da Saúde. São os aldeídos (glutaraldeído, formaldeído), ácido peracético (utilizado no reprocessamento de dialisadores); e outros, desde que atendam a legislação especifica.
Métodos Físico-Químicos: Esterilizadoras a óxido de etileno, e plasma de peróxido de hidrogênio. Uma das formas mais usadas para esterilização é o óxido de etileno (ETO), indicada para os materiais termossensíveis, que são aqueles cujas características físicas sejam incompatíveis com os processos convencionais de esterilização por vapor e alta temperatura. Neste perfil se encaixam artigos respiratórios, cateteres, conexões plásticas de equipamentos médicos, seringas, embalagens de produtos estéreis, entre outros.

Embalagens dos Produtos a Serem Esterilizados

Todo artigo a ser esterilizado, armazenado e transportado, deverá ser acondicionado em embalagem criteriosamente selecionada, para a segurança do processo. Existem uma diversidade de embalagens para os produtos a serem esterilizados nos serviços e saúde.

O objetivo das Embalagens é fornecer a manutenção da esterilidade, proteção para transporte e armazenagem, providenciar a transferência asséptica dos artigos. E existem basicamente dois tipos de embalagens, que são as descartáveis e as reutilizáveis.

As descartáveis podem ser de papel grau cirúrgico, papel crepado, manta de polipropileno – 100% que é formada por fibras longas e contínuas que proporcionam resistência mecânica, maleabilidade e por uma trama densa de microfibras que age como barreira microbiana, Tyvek® que é uma lâmina de polietileno entrelaçado de alta densidade (PEAD), que suporta altas temperaturas, alta resistência à tração e perfuração, barreira microbiana, seu uso é limitado devido ao alto custo.
As reutilizáveis podem ser de tecido de algodão, estojo metálico, vidro refratário, container rígido.

Cada CME irá escolher o tipo de embalagem adequada aos produtos a serem esterilizados, bem como viabilidade de preço, qualidade e que atenda as normas técnicas da instituição e dos órgãos de controle, como por exemplo a ANVISA.


Validação e Monitoração do Processo de Limpeza e Esterilização dentro da CME

Entre as regulamentações regressadas ao processamento e reprocessamento de artigos médico-hospitalares temos a RDC 156 publicada pela ANVISA em 11 de agosto de 2006, que dispõe sobre o registro, rotulagem e reprocessamento de produtos médicos, a RE 2605/06 que estabelece a lista de produtos médicos enquadrados como de uso único proibidos de serem reprocessados e a RE 2606/06 que dispõe sobre as diretrizes para elaboração, validação e implantação de protocolos de reprocessamento de produtos médicos.

Um progresso extraordinário na ação regulatória foi a publicação da RDC 15 pela ANVISA, em março de 2012, que dispõe sobre requisitos de boas práticas para o processamento de produtos para saúde, gerando também a normatização das atribuições dos profissionais de enfermagem na CME e em empresas processadoras de produtos para saúde através da resolução 424 pelo COFEN em abril de 2012.

A validação pode ser delineada, sucintamente, como um conjunto de práticas com a finalidade de confirmar que o método regularizado responde totalmente à sua finalidade e é um procedimento preciso e único, retomado com certa periodicidade.

A monitoração, por outro lado, tem a finalidade de garantir a eficácia e a reprodutibilidade do reprocessamento de artigos, por meio da correta monitoração dos processos de limpeza e esterilização, constituindo um procedimento contínuo. Esta monitoração é efetivada por indicadores e monitores de processo em quantidade e assiduidade definidos pela RDC 15.

Testes e Controles de Esterilização

Através dos resultados dos parâmetros críticos do processo pelos indicadores físicos, químicos e biológicos.

Os testes físicos são realizados através do tempo, da temperatura e do vapor, realizados a cada ciclo de esterilização.

Os testes químicos podem indicar uma falha em potencial no processo de esterilização por meio da mudança de sua coloração. São normalmente encontrados em fitas zebradas, que indicam se um determinado pacote passou pelo processo de esterilização. Devem ser utilizados em todos os pacotes externamente. Outro teste químico muito utilizado é o Teste Bowie e Dick, que identifica a presença de ar no interior dos pacotes, causado por falhas durante o processo de remoção de ar ou na penetração eficaz do vapor, indicado pela mudança de cor do indicador químico existente no pacote (de azul para rosa).

O teste biológico é a monitorização mais confiável, pois é feita com microorganismos tecnicamente preparados para demonstrar a eficácia da esterilização, são composições estabelecidas a partir de esporos bacterianos normalmente armazenados em ampolas e verificam a eficiência dos esterilizadores e somente eles podem detectar a morte dos esporos microscópicos dentro do esterilizador e isso explica o porquê da importância do controle de carga, processo pelo qual cada carga é monitorada e liberada com base no indicador biológico.

Recursos Humanos

O quadro de pessoal de uma CME deve ser composto por Enfermeiros, Técnicos de Enfermagem, Auxiliares Administrativos, Auxiliares de Higienização e Limpeza e atualmente algumas centrais de materiais e esterilização contém em seu quadro de funcionários, um Engenheiro Técnico, para controle, assistência técnica e manutenção dos equipamentos utilizados nesta unidade de serviço.

Aos auxiliares administrativos, compete a função de zelar pelas atividades administrativas, como agendamento de cirurgias a serem realizadas, compras de materiais de escritório, atendimento aos telefonemas da unidade, realização de pedidos de almoxarifado e também servir como elo entre o ambiente interno e externo da CME.

Ao auxiliar de higienização e limpeza, compete pela higienização da estrutura física da CME.

A equipe de enfermagem que trabalha nesta unidade presta uma assistência indireta ao paciente, e é tão importante quanto à assistência direta, que é realizada pela equipe de enfermagem que atende ao paciente nas unidades assistenciais.

Ao Enfermeiro Supervisor compete:
  •  Atua na coordenação do setor;
  •  Prever os materiais necessários para prover as unidades consumidoras;
  • Elaborar relatórios mensais estatísticos, tanto de custo quanto de produtividade;
  •  Planejar e fazer anualmente o orçamento da CME com antecedência de 04 a 6 meses
  •  Elaborar e manter atualizado o manual de normas, rotinas e procedimentos da CME, que deve estar disponível para a consulta dos colaboradores;
  •  Elaborar treinamentos e capacitação da equipe técnica;
  • Desenvolver pesquisas e trabalhos científicos que contribuam para o crescimento e as boas práticas de Enfermagem, participando de tais projetos e colaborando com seu andamento.
  • Manter-se atualizado acerca das tendências técnicas e científicas relacionadas com o controle de infecção hospitalar e com o uso de tecnologias avançadas nos procedimentos que englobem artigos processados pelo CME.
  • Participar de comissões institucionais que interfiram na dinâmica de trabalho do CME.
  • Compartilhar dos processos de seleção e admissão de novos funcionários, bem como dos processos de demissão.



Ao Técnico de Enfermagem compete:
  •         Fazer a leitura dos indicadores biológicos, de acordo com as rotinas da instituição;
  •         Receber, conferi, limpar e preparar os artigos consignados;
  •       Realizara limpeza, o preparo, a esterilização, a guarda e a distribuição de artigos, de acordo com solicitação;
  •         Preparar os carros e caixas para cirurgias;
  •         Preparar as caixas cirúrgicas;
  •         Realizar cuidados com artigos endoscópicos em geral;
  •         Monitorar afetiva e continuamente cada lote ou carga nos processos de esterilização;
  •       Revisar a listagem de caixas cirúrgicas, bem como proceder à sua reposição;
  •       Fazer listagem e encaminhamento de artigos e instrumental cirúrgico para conserto.
  •         Guardar e distribuir todos os artigos esterilizados


Referências




Enf. Amarildo de Souza Cunha
MBA em Gestão da Saúde e Administração Hospitalar



terça-feira, 3 de maio de 2016

Gestão de OPME dentro de um Hospital

Ao gerenciarmos uma unidade de serviço temos o objetivo de obter produtividade e harmonia no ambiente de trabalho, garantindo a todos os envolvidos no processo a segurança de que, o direcionamento do serviço está trilhando caminhos exatos.
Dentro de uma instituição hospitalar os materiais consignados, em especial os que são chamados de OPME (órtese, prótese e materiais especiais) representam um alto custo dos gastos hospitalares. A grande diversidade e o elevado custo requer uma gestão segura e racional.
Por isso, os objetivos de uma instituição hospitalar na gestão de OPME devem ser: Segurança do paciente, Eficiência operacional, Redução de desperdício e variabilidade, Relações comerciais e técnicas harmoniosas, Oferecer uma boa relação custo benefício para os materiais, Eliminação do risco de glosas/atrasos no faturamento, Inspirar confiança e resolubilidade, e com certeza Ser uma instituição economicamente viável.
Os dispositivos médicos hospitalários (OPME) representam uma das áreas mais complexas e incompreendidas no mundo da saúde, onde cada grupo possui determinadas características, como preço, giro, data de validade, prazos de entrega, dentre outras. Tornando estes um desempenho preponderante na balança das contas hospitalares, levando o serviço de suprimentos a manter todos os itens de OPME em uma proporção adequada de utilização.
Um dos interesses da Gerência de Suprimentos é evitar a falta de materiais quando solicitados, bem como manter um estoque mínimo dentro da organização, uma vez que os materiais especiais demandam um alto fluxo de caixa.
Outra grande preocupação da Gerencia de Suprimentos é com a logística praticada pelos distribuidores desses materiais, que por vezes compromete todo o plano de abastecimento, gerando insatisfação dos clientes internos: médicos, gerentes de unidades, coordenadores e a alta direção, bem como dos clientes externos: pacientes e as operadoras de saúde.
O Serviço de Suprimento Hospitalar deve ter uma variedade de fornecedores cadastrados em seu sistema, aqueles que atendam de maneira rápida a solicitação do OPME e que dê prazos para pagamento, visto que a conta hospitalar em que aquele material está incluso será somente pago pela operadora de saúde possivelmente no mês seguinte, quando fechar a competência do faturamento.
Há também a necessidade da implantação de rígidos controles no uso, porque pode haver uma tendência a consumir mais, determinado item, somente porque o mesmo está disponível ao uso. Entretanto há necessidade de várias marcas com disponibilidade de consignação de materiais especiais.
O gestor do Serviço de Suprimento necessita ter certo conhecimento de mercado, por maior que seja o seu grau de formação acadêmica, pois negociar é trabalhar com expectativas, preços praticados pelo mercado, qualidade e prazos de entrega.
Diversos recursos proporcionam a otimização dos resultados ao Serviço de Suprimento, tais como o cadastro de requisições praticadas pelas unidades de serviços, a organização dessas requisições para uma melhor compra, a confecção de planilhas comparativas de preços, realização e envio de cotações para os fornecedores, análise da melhor cotação por produto ou por fornecedor, avaliando neste item o preço e qualidade.
Portanto, é também importe trabalhar com um sistema de informação adequado e de confiança, permitindo a monitoração e integração de todo o fluxo, inclusive dispondo de instrumentos de apoio aos gestores, como os relatórios gerenciais. Uma vez que a eficiência no gerenciamento de todos os materiais especiais é indispensável para manter um estoque em níveis adequados, além de melhorar o planejamento de compras e solicitações de consignação.
Conclui-se que, para obter resultados efetivos na gestão de OPME dentro de uma organização hospitalar é necessário que haja uma equipe especializada, multidisciplinar, com conhecimento administrativo e técnico sobre os produtos a serem utilizados. Assim, o processo terá abrangência necessária: compatibilidade dos produtos com os procedimentos, escolhas de produtos similares nos quesitos de qualidade e funcionalidade; informações estas que darão maior coerência técnica nas negociações, procedendo em diminuição dos custos, maior transparência e otimização do processo.
Enfº Amarildo Cunha
MBA em Gestão de Saúde e Administração Hospitalar
Executivo de Vendas de Produtos Médicos Hospitalares

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Assistência Domiciliar a Pacientes após Infarto Agudo do Miocárdio

Assistência Domiciliar a Pacientes após Infarto Agudo do Miocárdio

O paciente após alta médica hospitalar de um Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) necessitará de alguns cuidados específicos que resumidamente gira em torno da mudança do seu estilo de vida e combates aos fatores de risco para um novo evento de IAM.

Daí a importância deste paciente, bem como os seus familiares ter o conhecimento para iniciar esta mudança de comportamento, e adquirirem autonomia para uma tomada de decisão mais consciente e condizente com sua atual realidade e necessidades de saúde.

Abaixo segue os principais cuidados para esta nova fase de vida do paciente após alta médica de um IAM.

Alimentação
A alimentação deverá ser individualizada, de acordo com o perfil do paciente. Preferencialmente,  caso haja necessidade um (a) nutricionista deverá ser consultado.  Procure oferecer a este paciente uma quantidade de calorias diárias que lhe permita atingir um peso adequado. 

Estudos científicos apontam que a ingesta diária de frutas, verduras e legumes, ajuda a prevenir  um  IAM.

Limite  a ingestão de Glossary Link sal, evite os alimentos ricos em colesterol os quais são exclusivamente  de origem animal (derivados do leite com alto teor de gordura, gordura aparente das carnes, gema dos ovos, pele das aves, miúdos, embutidos e certos  frutos do mar). Evite também as gorduras saturadas (frituras)  e as gorduras trans ou hidrogenadas (leia o rótulo de composição do alimento),  que são encontradas em alguns produtos industrializados como molhos, sorvetes, bolos e certos biscoitos.

Procure ingerir peixe, principalmente os ricos em ácido graxos ômega 3 (sardinha, truta, salmão  e bacalhau ), pelo menos duas vezes por semana. Os fitoesteróis  são substâncias antioxidantes  de origem vegetal e, podem ser encontrados em margarinas enriquecidas, que são uma ótima opção para substituir a manteiga ou as margarinas com gorduras hidrogenadas. Procure ingerir alimentos ricos em fibras  (frutas, verduras, legumes e cereais). Derivados de soja, grão integrais, Glossary Link nozes, assim como outros alimentos , apresentam efeitos comprovadamente benéficos sobre as gorduras do sangue e a aterosclerose. 

Os medicamentos
O paciente que sofreu um infarto do miocárdio (IAM) receberá na alta hospitalar, uma receita médica contendo vários medicamentos, estes deverão ser de uso contínuo e jamais deverão ser suspensos sem uma orientação médica. Mesmo após sua melhora clínica o uso é cotidiano, uma vez que estes previnem outras doenças que provoquem o IAM como é o caso dos antiplaquetários, que previnem o acúmulo de gorduras nas paredes das artérias coronárias, que são denominadas de Aterosclerose.

Combate dos fatores de risco 
Estatisticamente 90% dos pacientes que sofreram um IAM, apresentam um ou mais fatores de risco cardiovascular que podem ser modificados. Esses fatores de risco devem ser bombardeados, objetivando evitar novas e futuras complicações, a chamada prevenção secundária.

Os principais fatores de risco  são:
Tabagismo; o objetivo neste fator de risco é a abolição completa da prática de fumar.

Obesidade; a meta obter um índice de massa corporal inferior a 25 kg/m2 e uma circunferência abdominal inferior a 80 cm nas mulheres e 94 cm nos homens, como maneira de controlar é a prática de atividade física e uma alimentação saudável e balanceada.

Dislipidemias (anormalidades do colesterol e frações) a meta é manter o colesterol total inferior a 200mg/dl,  LDL- colesterol ou "colesterol ruim" inferior a 100m/dl ou 70mg/dl em pacientes de muito alto risco, HDL- colesterol ou "colesterol bom" maior que  40 nos homens ou maior que 50 mg/dl nos pacientes diabéticos e nas mulheres , triglicerídeos inferiores a 150 mg/dl.

Diabetes Mellitus; o objetivo é manter uma taxa glicêmica de jejum menor que 120mg/dl.

Hipertensão Arterial; a finalidade é manter pressão arterial em torno de 120/80 mmHg, idealizando uma PA abaixo de 140/100 mmHg.

Sedentarismo; para combater o sedentarismo o ideal é que este paciente faça exercícios físicos aeróbicos leves a moderados, pelo menos três vezes por semana, iniciando com 15 minutos, evoluindo a 30 minutos e a 45 minutos.

Estresse Psicossocial e depressão; melhora do quadro com acompanhamento familiar, psicológico, religioso e se necessário o uso de medicação conforme prescrição médica. 

Teste de Esforço Atenuado 
A solicitação de um teste de esforço, mais leve do que o habitual, poderá ser necessária em 4 a 10 dias após um IAM. Os dados deste exame, juntamente com outros parâmetros clínicos e do ecocardiograma (exame que analisa o coração através de ondas ultrassônicas), serão úteis para classificar os pacientes em baixo, médio e alto risco após a alta hospitalar. Esta classificação é muito útil.

Atividade sexual
Poderá ser reiniciada de 7 a 10 dias após a alta hospitalar naqueles pacientes que sofreram um IAM  sem complicações ou com complicações leves e que estão sem sintomas (pacientes de baixo risco ). Em pacientes de médio risco ou alto risco, o momento da liberação para atividade sexual ficará a critério do médico assistente. O uso de medicações para disfunção erétil deverá ter a prescrição do médico assistente.

Próxima consulta médica
O retorno ao consultório deverá ser estipulado pelo médico assistente, no entanto, a maioria dos pacientes precisará ser reavaliada dentro de no máximo 15 dias.

Retorno ao Trabalho  e as  Atividades Físicas
Os pacientes que sofreram um IAM sem complicações ou com complicações leves e que estão sem sintomas, poderão retornar ao trabalho dentro de duas a quatro semanas. Caso não haja uma contra indicação, as atividades físicas mais intensas poderão ser reintroduzidas também neste período, com caminhadas leves no plano, iniciando com 15 minutos  e aumentando este tempo gradativamente até atingir cerca de uma hora. Pacientes de médio e alto risco deverão ser reavaliados para o retorno ao trabalho e as atividades físicas. 

Exercícios Físicos e Reabilitação Cardíaca
Os exercícios físicos são fundamentais dentro de um programa de reabilitação cardíaca, o qual é obrigatório após o IAM. Esta reabilitação deverá ser iniciada ainda na unidade de terapia intensiva (fase hospitalar) e mantida após a alta hospitalar (fase ambulatorial).

A reabilitação cardíaca engloba um conjunto de medidas  que  permitem uma melhora das condições do sistema cardiovascular, mas também dos fatores de risco para as doenças cardiovasculares (reabilitação cardiometabólica). Em pacientes de médio e alto risco, a reabilitação cardíaca deverá ser supervisionada, ou seja, realizada inicialmente em uma clínica especializada.

Em pacientes de baixo risco, recomenda-se  caminhadas no plano, iniciando com 15 minutos, com incrementos gradativos até atingir uma hora , pelo menos três a cinco vezes por semana.

Atividades Esportivas
Caso não haja contra indicação, num momento oportuno,  recomenda-se a prática de marcha atlética, corrida de pequenas distâncias e tênis em duplas.

Squash, tênis individual, futebol e basquete devem ser evitados. Natação e hidroginástica requerem atenção especial quanto à temperatura da água da piscina, a qual deverá ficar entre 18 e 25 graus. 

Referências

Infarto Aguado do Miocárdio. Disponível em: <http://www.saudeemmovimento.com.br/conteudos/conteudo_frame.asp?cod_noticia=588> Acesso em 16 de Junho de 2015.

Infarto Aguado do Miocárdio: Orientações após alta hospitalar. Disponível em: <http://portaldocoracao.uol.com.br/infarto-do-miocardio/infarto-do-miocardio-orientaces-apos-a-alta-hospitalar> Acesso em 14 de junho de 2015.

Cuidados na alimentação do paciente que sofreu um infarto. Disponível em: <http://www.minhavida.com.br/alimentacao/materias/17787-cuidados-na-alimentacao-do-paciente-que-sofreu-um-infarto> Acesso em 15 de Junho de 2015.

Linha do cuidado do Infarto Agudo do miocárdio na rede de atenção as urgências. Disponível em: < http://www.saude.pr.gov.br/arquivos/File/HOSPSUS/protocolo_sindrome_coronariaMS2011.pdf> Acesso em 19 de Junho de 2015.

OLIVEIRA, Larissa Bertacchini; PUSCHEL, Vilanice Alves de Araújo. Conhecimento sobre a doença e mudança de estilo de vida em pessoas pós-infarto. Rev. Eletr. Enf. [Internet]. 2013 out/dez;15(4):1026-33. Disponível em: http://dx.doi.org/10.5216/ree.v15i4.18442. doi: 10.5216/ree.v15i4.18442.


Enfº Amarildo Cunha

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Gerenciamento de Riscos Hospitalares

Gerenciamento de Riscos Hospitalares

As instituições hospitalares estão cada vez mais preocupadas em garantir um atendimento de qualidade a seus clientes e colaboradores. Nesse domínio, a segurança do paciente, através do gerenciamento de riscos, tem ganhado evidência com a implantação de medidas de prevenção à exposição aos riscos, bem como aos prejuízos aos clientes e colaboradores decorrentes da assistência à saúde.

O enfermeiro juntamente com sua equipe permanece a maior parte do tempo na unidade de internação e em contato direto com o cliente, portanto esta é parte principal de uma equipe multiprofissional engajados no gerenciamento de riscos. Esta classe também é uma das mais sofre diante deste cenário tendo em vista o contato direto com estes riscos.

Gerenciamento de Riscos em Saúde é a aplicação sistemática e contínua de artifícios, procedimentos, comportamentos e recursos na avaliação de riscos e eventos adversos que afetam a segurança, a saúde humana, a integridade profissional, o meio ambiente e a imagem institucional.

O gerenciamento de risco na saúde foi introduzida no Brasil em 2001, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), constituindo-se em um programa de qualidade recente na prática dos colaboradores da saúde e largamente debatido na atualidade. Partindo deste princípio, a contínua adoção de novas tecnologias na área da saúde, em especial no âmbito da enfermagem, fez com que as organizações implantassem o gerenciamento de risco, sistematizando, assim, a supervisão dos eventos adversos, com a finalidade de ter maior segurança nas práticas realizadas.

A ANVISA relata que risco é a combinação da possibilidade do acontecimento de um erro e a seriedade deste erro.

Outro conceito fundamental de se entender no gerenciamento de riscos hospitalares é o evento adverso, que compreende um acontecimento que causa ou poderá causar resultados inesperados e/ou indesejados que comprometam a segurança de pacientes, usuários ou profissionais da saúde. Podendo este causar ou contribuir para lesão séria do paciente, progressão trágica da doença e até mesmo o óbito do paciente.

Os riscos existem, uma vez que errar faz parte da natureza humana, porém estes aumentam quando a equipe multiprofissional não está completamente preparada, treinada, devidamente dimensionada ou quando procedimentos, práticas, protocolos, técnicas, rotinas e equipamentos utilizados pelos colaboradores forem inadequados ou complexos.

Quanto às responsabilidades no gerenciamento de riscos em instituições hospitalares, esta é de todos, pois todos os colaboradores têm responsabilidades na prevenção de incidentes e na promoção da segurança.

No gerenciamento de riscos é primordial que todo e qualquer evento adverso seja notificado através de um sistema de notificação confiável, seguro, de fácil acesso e que permita agilidade do processo de notificar, evitando a desmotivação do colaborador de se realizar a notificação, além de permitir a rastreabilidade da informação.

O aprendizado de um erro deve ser incentivado entre a equipe multiprofissional, embora os erros sejam por falha de seguir processos estes devem ser analisados de forma multicausal, sem buscar por culpados. Sua análise dever servir para a busca da melhoria contínua, tendo em vista que a educação continuada é um grande passo para o gerenciamento dos riscos decorrentes da assistência a saúde.

O Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo juntamente com a Rede Brasileira de Enfermagem e Segurança do paciente aponta 10 passos fundamentais para a segurança do paciente:
·         Identificação correta do paciente: Fundamental para garantir a segurança do paciente em qualquer ambiente de cuidado à saúde.
·         Higienização das mãos: Proporcionando um cuidado limpo e seguro, reduzindo assim infecções relacionadas à assistência a saúde.
·         Conexões corretas: É o caso dos pacientes que utilizam sondas e cateteres. Uma conexão errada pode causar graves danos a saúde do paciente e até mesmo levá-lo ao óbito.
·         Cirurgia segura: Através da utilização do check list antes do procedimento cirúrgico. Cada serviço pode elaborar sua lista, esta vai depender do tipo de atendimento e grau de complexidade.
·         Administração segura: De medicamentos, sangue e seus hemocomponentes.
·         Envolver o paciente no seu tratamento: Ele melhor do que qualquer profissional conhece seus sinais e sintomas patológicos, bem como o histórico da sua saúde e da progressão da sua doença.
·         Comunicação efetiva: O paciente recebe atendimento de uma equipe multiprofissional e em diversos setores de um hospital, dessa forma todas as informações devem estar alinhadas a um alto grau de qualidade.
·         Prevenção de queda: Esta avaliação deve ser periódica para cada paciente, possibilitando aos profissionais o desenvolvimento de estratégias para sua prevenção.
·         Segurança na utilização tecnológica: Toda tecnologia é bem vinda à promoção, prevenção e recuperação de doenças, desde que seja utilizada de forma adequada e por profissionais capacitados para o manuseio destas.

Referencias

  • ·    Gestão do risco: Segurança do doente em ambiente hospitalar. RAMOS Susana; TRINDADE Lurdes. Nov/Dez 2011.
  • ·         10 Passos para a Segurança do Paciente. COREN/SP; REBRAENSP. São Paulo, 2010.
  • · Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Rede Sentinela. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/
  • ·        KUWABARA, Cleuza Catsue Takeda; ÉVORA, Yolanda Dora Martinez; OLIVEIRA, Márcio Mattos Borges de. Gerenciamento de risco em tecnovigilância: construção e validação de instrumento de avaliação de produto médico-hospitalar. Rev. Latino-Am. Enfermagem. Set/Out 2010.
  • COSTA, Veridiana Tavares; SCHLINDWEIN, Betina Hörner Schlindwein Meirelles; ERDMANN, Alacoque Lorenzini Erdmann. Melhores práticas do enfermeiro gestor no gerenciamento de risco. Set/Out 2013.

Enfº Amarildo Cunha

MBA em Gestão da Saúde e Administração Hospitalar