quinta-feira, 15 de março de 2018

Marca-Passo Provisório na Sala de Emergência - Atuação da Equipe de Enfermagem

  • Marca-Passo Provisório na Sala de Emergência

Atuação da Equipe de Enfermagem

Enfº Amarildo Cunha

Os marca-passos cardíacos artificiais (MP) são dispositivos eletrônicos de estimulação multiprogramável capazes de substituir os impulsos elétricos e/ou ectópicos, com o objetivo de obter atividade elétrica cardíaca, a mais fisiológica possível.

Atualmente, a estimulação temporária é um procedimento indispensável em unidades de Pronto Atendimento (PA), sendo utilizado em decorrência da natureza aguda e frequentemente transitória de determinadas patologias cardíaca. Pode ser também realizada de forma eletiva e preventiva para controle da frequência cardíaca (FC), tratamento de distúrbios de condução, dentre outras doenças cardiovasculares.

Daí a importância e necessidade da equipe de Enfermagem estar preparada para o atendimento e assistência destes pacientes.

Indicação do MP Provisório

Como abordagem de primeira escolha para pacientes com bradicardia associada a presença de sinais e sintomas de instabilidade hemodinâmica, como: Tonturas, alteração do nível de consciência (presença de síncope ou pré-sincope), hipotensão, dor torácica de origem anginosa e dispneia (insuficiência cardíaca ou congestão pulmonar).

Programação do Gerador de MP Externo

Sendo o implante endocárdico, conecta-se o polo distal ao terminal negativo e o polo proximal ao terminal positivo do MP, mensurando assim os limiares de comando e sensibilidade no gerador externo.

Limiar de comando é a menor quantidade de energia aplicada ao músculo cardíaco, capas de provocar a sua despolarização. Como regra básica a programação do limiar de comando do gerador externo é três vezes o limiar encontrado, assegurando dessa forma, margem de segurança adequada sem realizar a estimulação excessiva de energia.
Limiar de sensibilidade é o poder de captação, pelo eletrodo, dos sinais cardíacos resultantes da despolarização. Como regra básica o MP deverá ser mantido com sensibilidade igual ao dobro do valor encontrado, garantindo dessa forma, boa margem de segurança.
Basicamente existem dois tipos de estimulação cardíaca temporária, o MP Transcutâneo e o MP Transvenoso.

MP Provisório Transcutâneo

Realiza a estimulação elétrica artificial por meio de eletrodos autoadesivos contendo gel condutor, que quando colados no tórax do paciente, emite estimulação elétrica das células cardíacas e consequentemente a contração do músculo cardíaco. Os eletrodos são colocados e/ou colados na parede do tórax (anteroposterior, esterno-apical ou latero-lateral), estes promovem a desfibrilação e a monitorização eletrocardiográfica.

As complicações que podem ocorrer no MP provisório transcutâneo são irritação da pele e queimaduras, devido ao uso prolongado do dispositivo, bem como dor e desconforto ocasionados pelo impulso elétrico e consequente contração muscular esquelética.

Cuidados de Enfermagem ao paciente com MP Provisório Transcutâneo
  • ·         Avaliar nível de consciência do paciente;
  • ·         Avaliar analgesia e desconforto do paciente;
  • ·         Manter eletrodos do eletrocardiograma e monitorização contínua;
  • ·         Higiene oral e corporal no leito do paciente;
  • ·      Orientar, auxiliar e supervisionar o paciente a realizar suas necessidades fisiológicas do no leito;
  • ·         Manter os eletrodos colados no tórax do paciente, evitando ao máximo molhar estes eletrodos.
  • ·         Manter repouso absoluto no leito em todos os pacientes com MP provisório transcutâneo;
  • ·         Puncionar e manter acesso venoso calibroso neste paciente;
  • ·   Manter material de via aérea avançada próximo ao leito do paciente, bem como carrinho de emergência;
  • ·         Realizar controle de sinais vitais;
  • ·         Manter registro de procedimentos realizados e cuidados de enfermagem prescritos.


MP Provisório Transvenoso

A estimulação cardíaca com MP transvenoso é realizada por meio de eletrodos flexíveis, bipolares, que entram em contato direto com o endocárdio, geralmente no ventrículo direito, onde os impulsos elétricos são comandados por um gerador externo.

A passagem destes eletrodos é realizada por meio de punção venosa central, podendo estas serem jugular interna, subclávia, femoral e braquial. A introdução destes eletrodos, quando necessário são realizadas com ajuda de um eletrocardiógrafo e/ou fluoroscopia.

A utilização do MP transvenoso se dá, quando o paciente não responde as medidas iniciais de tratamento às bradiarritmias sintomáticas com pulso através do tratamento medicamentoso ou por MP transcutâneo.

Sua utilização é segura, confiável e eficiente, não podendo ultrapassar 15 dias de implante devido ao risco de infecções e septicemia.

Complicações com o MP Provisório Transvenoso

O implante de MP Provisório Transvenoso pode ocasionar sérias complicações e problemas aos pacientes, porém estes podem ser evitados de acordo com o conhecimento e conduta da equipe responsável sobre o uso e manutenção do gerador de MP e dos cabos de eletrodo. Dentre as complicações mais que podem ocorrer, podemos citar:
  • ·         Hemotórax;
  • ·         Tromboflebite;
  • ·         Hematoma local;
  • ·         Estimulação diafragmática;
  • ·         Perfuração miocárdica;
  • ·         Deslocamento do cabo de eletrodo;
  • ·         Infeção;
  • ·         Arritmias ventriculares;
  • ·         Desaparecimento da espícula do MP;
  • ·         Perda do comando, ausente do desaparecimento da espícula do MP.


Cuidados de Enfermagem ao paciente com MP Provisório Transvenoso
  • ·         Avaliar nível de consciência do paciente;
  • ·         Manter o paciente em repouso relativo;
  • ·    Avaliar sinais vitais e frequência cardíaca apical e parâmetros do gerador de MP por período, avaliando se está em demanda ou comando;
  • ·         Realizar curativo de forma asséptica no óstio de inserção do eletrodo transvenoso;
  • ·         Realizar eletrocardiograma de controle diariamente;
  • ·         Avaliar presença de estimulação frênica (estímulo abdominal);
  • ·         Avaliar sinais e sintomas de infeção;
  • ·         Manter acesso venoso pérvio;
  • ·         Manter material de via aérea avançada próximo ao leito do paciente;
  • ·         Manter acesso venoso calibroso pérvio;
  • ·    Orientar o paciente quanto ao repouso e cuidados com os eletrodos e gerador de MP transvenoso;
  • ·      Avaliar diariamente bateria do gerador de MP transvenoso, e caso seja necessário realizar a troca da bateria, manter o paciente monitorizado e sob a presença da equipe médica.


Cuidados com o Manuseio do Gerador
  • ·     Observar sempre o correto aterramento do aparelho, para evitar fugas de corrente pelo eletrodo do gerador de MP;
  • ·   Não substituir baterias do gerador de MP em funcionamento, sem a utilização de luvas de procedimento;
  • ·        Anotar a frequência predeterminada do gerador de MP;
  • ·        Verificar diariamente a carga da bateria do gerador;
  • ·     O enfermeiro deve solicitar avaliação do médico, sempre que houver presença de estimulação torácica ou diafragmática, que pode indicar sinais de aumento de sensibilidade e/ou perfuração cardíaca;
  • ·   Avaliar três vezes ao dia os limiares de comando e sensibilidade, mantendo margens de segurança adequadas;
  • ·  Caso o paciente necessite de desfibrilação, o gerador de MP deve ser desligado, e preferencialmente desconectar os cabos de eletrodos dos terminais, para evitar danos ao aparelho;
  • ·    Manter o paciente em repouso relativo, tomando precaução de fixar de forma adequada o gerador próximo ao local de inserção do cabo de eletrodo;
  • ·     Posicionar adequadamente o MP com o cabo de eletrodo curto, mas com folga, para evitar tração e possível deslocamento, e o gerador fixado ao corpo do paciente;
  • ·         Atentar para alterações dos sinais vitais do paciente: controle da pressão arterial, da frequência cardíaca, do ritmo cardíaco, da frequência respiratória e da temperatura corporal;
  • ·   Monitorização eletrocardiográfica ou eletrocardioscópica, para avaliação dos limiares de comando e sensibilidade e também para o diagnóstico precoce de complicações;
  • ·      Avaliação cotidiana do MP Provisório Transvenoso, para então verificar se o paciente poderá retirar o MP provisório ou se terá que realizar o implante de um MP endocárdico definitivo;
  • ·    Ao desligar um MP externo, deve-se diminuir gradativamente a frequência de estimulação, observando se o ritmo cardíaco do paciente. A interrupção abrupta da estimulação pode ser seguida de longo período de assistolia, determinando quadro de síncope ou até indução de arritmia grave.

Sistematização da Assistência de Enfermagem

A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) é uma ferramenta de trabalho básica e ordenada na vida do Enfermeiro, orientada pela ciência, a SAE colabora para avaliar e diagnosticar a saúde e necessidades de cuidados do paciente, estabelecer prescrições de cuidado, praticar e avaliar a sua efetividade em todos os aspectos de cuidados, desde os clientes de menor comorbidade até os de alta complexidade. Logo a utilização das classificações de Diagnósticos, Intervenções e Resultados de Enfermagem melhoram a documentação de todo o processo de trabalho do Enfermeiro.

Na sala de emergência o Enfermeiro além de avaliar e considerar todo o estado hemodinâmico do paciente, bem como todas as funcionalidades e cuidados com o eletrodo e o gerador de MP provisório, este deve manter o foco no cuidado individualizado do paciente e não de sua patologia. O profissional de enfermagem representa papel fundamental na vida do paciente após o implante, com o objetivo de identificar as necessidades de cuidado como tranquilizar o paciente em situações de medo e ansiedade, esclarecer dúvidas e orientar quanto ao autocuidado.

Cabe ainda ao Enfermeiro o gerenciamento dos sintomas apresentados pelo paciente, devendo avaliar criteriosamente sua história clínica, os sinais de baixo débito cardíaco: como pele fria, palidez, síncope, tontura, fadiga, desconforto respiratório e palpitações, uma vez que estes são sinais indicativos de perfusão inadequada ao padrão fisiológico.

Referências
  • ·         OLIVEIRA, Denise Viana Rodrigues de Oliveira; AYOUB, Andrea Cotait, KOBAYASHI, Rika Miyahara; SIMONETTI, Sergio Henrique. Marca-passo – Competências Clínicas para Enfermeiros. Editora Atheneu, 1 Edição. Rio de Janeiro, 2017.

  • ·         NANDA, Diagnósticos de Enfermagem da NANDA: Definições e Classificações 2017. 10 edição. Editora Artmed.

  • ·         BULECHEK, Gloria M; BUTCHER, Howard K; DOCHTERMAN, Joanne; WAGNER, Cheryl M. NIC - Classificação Das Intervenções de Enfermagem - 6ª edição, editora Elsevier 2016.

  • ·         MOORHEAD, Sue; JOHNSON, Marion, MAAS, Meridian L; SWANSON, Elizabeth. NOC, Classificação dos Resultados de Enfermagem. 5 edição, editora Elsevier, 2016









domingo, 4 de junho de 2017

CENTRAL DE MATERIAL E ESTERILIZAÇÃO

Central de Material e Esterilização

















A Central de Material e Esterilização (CME) é uma unidade de serviço que presta apoio técnico a todas as unidades assistenciais de uma instituição hospitalar, que localizada dentro ou fora do estabelecimento de saúde, destina a receber material considerado sujo e contaminado, descontaminá-los, prepará-los e esterilizá-los, bem como, preparar e esterilizar as roupas limpas oriundas da lavanderia e armazenar esses artigos para futura distribuição.

Os materiais hospitalares, na sua maioria, têm uma associação importante com a infecção hospitalar, e aí vale lembrar que medidas eficazes deverão ser estabelecidas no processamento destes artigos, visando a minimizar o risco de infecção hospitalar. Estes artigos deverão ser submetidos a processos de limpeza, desinfecção ou esterilização para alcançarem os objetivos imprescindíveis.

A Resolução RDC nº. 307 de 14de novembro de 2002, considera a CME uma unidade de apoio técnico, que tem como finalidade o fornecimento de materiais médico-hospitalares adequadamente processados, proporcionando assim, condições para o atendimento direto e a assistência à saúde dos indivíduos enfermos e sadios de forma segura.

Estrutura Física da CME

É primordial que para um bom desempenho dos profissionais que trabalham nessa área, que a CME possua uma boa infraestrutura.

Com o propósito de evitar a ocorrência de infecção hospitalar, as paredes e pisos devem ser resistentes, laváveis, de cor clara, de fácil limpeza, lisos e sem nada que possam favorecer o acúmulo de sujidades. Tetos e portas devem ser de superfície lisa, clara, lavável, sem juntas, cantos e saliências dispensáveis, sendo que as portas ainda devem conter visores.

Na Sala de lavagem e descontaminação, as bancadas devem ter cubas fundas para evitar respingos no trabalhador, torneiras com disponibilidade de água quente e fria, adaptações para possibilitar a limpeza de tubulações e artigos com lumens e balcões em aço inoxidável, onde os materiais serão depositados para posterior secagem e separação.

Fluxo da CME

A CME é uma área crítica e o seu planejamento de fluxo dos materiais e roupas é: recebimento de roupa limpa/material, descontaminação de material, separação e lavagem de material, preparo de roupas e material, esterilização, guarda e distribuição.

A área de descontaminação e limpeza deve possuir uma barreira física com relação às demais áreas. Logo o fluxo deve ser unidirecional, permitindo que os materiais estéreis não se misturem com os não estéreis.

Classificação da CME

Atualmente, a CME classifica-se em três categorias, a saber: centralizada, semi-centralizada e descentralizada.

A centralizada é aquela que oferece concentração de todo o material esterilizado ou não, facilitando desta forma a qualidade e a quantidade de técnicas de higienização, limpeza e também avaliação de todo o material de uma maneira segura.
A semi-centralizada oferece a vantagem de que a esterilização do material é centralizada em um só lugar, mas cada unidade prepara seu material. Não chega a ser o ideal, mas torna a credibilidade da técnica em única, o que traz mais tranquilidade para o uso.
A descentralizada não deixa de trazer facilidades para aqueles que têm dificuldades na execução da prática. Resolve o problema para aqueles que se utilizam desta modalidade, constituindo, porém, uma preocupação com as consequências, como o desvio de material, protocolos e rotinas fora do padrão e falha na avaliação.

Segundo a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 307, de 14/11/2002, a qual altera a resolução anterior, RDC nº 50/2002 (21/02/2002) do Ministério da Saúde, a CME deve existir quando houver centros cirúrgicos, obstétricos e/ou ambulatoriais, hemodinâmica, emergência de alta complexidade e urgência.

Classificação dos Artigos a Serem Esterilizados

Os artigos hospitalares podem ser classificados em críticos, semi-críticos e não críticos.

Artigos críticos – entram em contato com tecidos estéreis ou com o sistema vascular e requerem a esterilizados para uso, pois possuem alto risco de causar infecção. Todos os artigos que entrarão em contato com o sítio cirúrgico, instrumentais e mãos do cirurgião e auxiliares.
Artigos semicríticos – são aqueles destinados ao contato com a pele não intacta ou com mucosas íntegras. Requerem desinfecção de alto nível ou esterilização.
Artigos não críticos – são artigos destinados ao contato com a pele íntegra do paciente. Ex.: comadres (aparadores), aparelhos de pressão. Requerem limpeza ou desinfecção de baixo ou médio nível.

Divisão da CME

A CME deve ser dividida em, no mínimo, três áreas: Descontaminação e Limpeza; Empacotamento, Desinfecção e Esterilização; Armazenamento e Distribuição.

A área de descontaminação e limpeza deve possuir uma barreira física com relação às demais áreas. Expurgo é a área onde é realizada a limpeza, descontaminação e consequentemente a reparação de todo material contaminado. Área esta que se caracteriza como um dos locais mais contaminados da CME.

A limpeza terá que ser rigorosa, pois a falha na mesma impede a esterilização devido à gordura e à sujeira que servem como proteção aos micro-organismos e atuam como barreira para o contato com agentes que fazem de fato a esterilização. Ela é a principal etapa do processamento de artigo; promove a remoção de sujidades (biofilme); remoção ou redução de microorganismos; bem como de substâncias pirogênicas (são substâncias não infecciosas, mas que podem gerar reações alérgicas e febris).

Biofilmes bacterianos são comunidades de bactérias envoltas por substâncias, principalmente açúcares, produzidas pelas próprias bactéria, que conferem a comunidade proteção contra diversos tipos de agressões que ela pode vir a sofrer como, por exemplo, a falta de nutrientes, o uso de um antibiótico ou algum agente químico utilizado para combater bactérias. 

Desinfecção é o método capaz de eliminar a maioria dos organismos causadores de doenças, com exceção dos esporos. É classificada em vários níveis e possui alguns fatores que influenciam na eficácia da sua operação. 
Alguns fatores podem interferir na eficácia da desinfecção, como: Limpeza prévia mal executada; tempo de exposição ao germicida insuficiente; solução germicida com ação ineficaz; temperatura e pH do processo 

A desinfecção pode ocorrer por três níveis: baixo nível, médio nível e alto nível.
Baixo Nível: Na desinfecção de baixo nível são destruídas bactérias em forma vegetativa, alguns vírus e fungos.  É eficaz, porém sobrevivem a este método esporos bacterianos, o vírus da hepatite B (HBV), vírus lentos e o bacilo da tuberculose.  As soluções utilizadas neste nível são o álcool etílico, n-propílico e isopropílico, o hipoclorito de sódio e o quaternário de amônia.
Médio Nível: Promove desinfecção contra os mesmos tipos que a desinfecção de baixo nível, porém, é eficaz também contra o bacilo da tuberculose, a maioria dos vírus e fungos. Sobrevivem a esse método, os esporos e os vírus lentos. As soluções utilizadas são o álcool etílico (70%) e isopropílico (92%), hipoclorito de sódio, fenólicos e iodóforos. 
Alto Nível: Nesse nível de desinfecção são destruídas bactérias, fungos e alguns esporos. Sobrevivem apenas alguns esporos bacterianos e os vírus lentos. As soluções adotadas são o hipoclorito de sódio, glutaraldeído, solução de peróxido de hidrogênio, cloro e compostos clorados, ácido peracético, ortophtalaldeído, água superoxidada. 

Esterilização: É o método que destrói todos os organismos patogênicos (bactérias, fungos, esporos e vírus) mediante a aplicação de agentes físicos, químicos e físico-químicos. Na escolha do método de esterilização é avaliado o material a ser submetido ao processo, considerando sua natureza e a resistência do mesmo a calor, vapor ou ambos. 

A esterilização pode acontecer por três métodos distintos, que são físicos, químicos e físico-químicos.

Métodos Físicos: São aqueles que utilizam calor nas mais variadas formas e radiações, dependendo da unidade hospitalar. O método mais utilizado é o de vapor saturado sob pressão (autoclave). Os materiais que podem ser autoclavados são: metais, tecidos, látex, borrachas, artigos termo-resistentes e líquidos.
Métodos Químicos: O método consiste em imersão dos artigos em líquidos esterilizantes, requerendo cuidados especiais. Esterilizantes químicos cujos princípios ativos são autorizados pela Portaria nº. 930/92 do Ministério da Saúde. São os aldeídos (glutaraldeído, formaldeído), ácido peracético (utilizado no reprocessamento de dialisadores); e outros, desde que atendam a legislação especifica.
Métodos Físico-Químicos: Esterilizadoras a óxido de etileno, e plasma de peróxido de hidrogênio. Uma das formas mais usadas para esterilização é o óxido de etileno (ETO), indicada para os materiais termossensíveis, que são aqueles cujas características físicas sejam incompatíveis com os processos convencionais de esterilização por vapor e alta temperatura. Neste perfil se encaixam artigos respiratórios, cateteres, conexões plásticas de equipamentos médicos, seringas, embalagens de produtos estéreis, entre outros.

Embalagens dos Produtos a Serem Esterilizados

Todo artigo a ser esterilizado, armazenado e transportado, deverá ser acondicionado em embalagem criteriosamente selecionada, para a segurança do processo. Existem uma diversidade de embalagens para os produtos a serem esterilizados nos serviços e saúde.

O objetivo das Embalagens é fornecer a manutenção da esterilidade, proteção para transporte e armazenagem, providenciar a transferência asséptica dos artigos. E existem basicamente dois tipos de embalagens, que são as descartáveis e as reutilizáveis.

As descartáveis podem ser de papel grau cirúrgico, papel crepado, manta de polipropileno – 100% que é formada por fibras longas e contínuas que proporcionam resistência mecânica, maleabilidade e por uma trama densa de microfibras que age como barreira microbiana, Tyvek® que é uma lâmina de polietileno entrelaçado de alta densidade (PEAD), que suporta altas temperaturas, alta resistência à tração e perfuração, barreira microbiana, seu uso é limitado devido ao alto custo.
As reutilizáveis podem ser de tecido de algodão, estojo metálico, vidro refratário, container rígido.

Cada CME irá escolher o tipo de embalagem adequada aos produtos a serem esterilizados, bem como viabilidade de preço, qualidade e que atenda as normas técnicas da instituição e dos órgãos de controle, como por exemplo a ANVISA.


Validação e Monitoração do Processo de Limpeza e Esterilização dentro da CME

Entre as regulamentações regressadas ao processamento e reprocessamento de artigos médico-hospitalares temos a RDC 156 publicada pela ANVISA em 11 de agosto de 2006, que dispõe sobre o registro, rotulagem e reprocessamento de produtos médicos, a RE 2605/06 que estabelece a lista de produtos médicos enquadrados como de uso único proibidos de serem reprocessados e a RE 2606/06 que dispõe sobre as diretrizes para elaboração, validação e implantação de protocolos de reprocessamento de produtos médicos.

Um progresso extraordinário na ação regulatória foi a publicação da RDC 15 pela ANVISA, em março de 2012, que dispõe sobre requisitos de boas práticas para o processamento de produtos para saúde, gerando também a normatização das atribuições dos profissionais de enfermagem na CME e em empresas processadoras de produtos para saúde através da resolução 424 pelo COFEN em abril de 2012.

A validação pode ser delineada, sucintamente, como um conjunto de práticas com a finalidade de confirmar que o método regularizado responde totalmente à sua finalidade e é um procedimento preciso e único, retomado com certa periodicidade.

A monitoração, por outro lado, tem a finalidade de garantir a eficácia e a reprodutibilidade do reprocessamento de artigos, por meio da correta monitoração dos processos de limpeza e esterilização, constituindo um procedimento contínuo. Esta monitoração é efetivada por indicadores e monitores de processo em quantidade e assiduidade definidos pela RDC 15.

Testes e Controles de Esterilização

Através dos resultados dos parâmetros críticos do processo pelos indicadores físicos, químicos e biológicos.

Os testes físicos são realizados através do tempo, da temperatura e do vapor, realizados a cada ciclo de esterilização.

Os testes químicos podem indicar uma falha em potencial no processo de esterilização por meio da mudança de sua coloração. São normalmente encontrados em fitas zebradas, que indicam se um determinado pacote passou pelo processo de esterilização. Devem ser utilizados em todos os pacotes externamente. Outro teste químico muito utilizado é o Teste Bowie e Dick, que identifica a presença de ar no interior dos pacotes, causado por falhas durante o processo de remoção de ar ou na penetração eficaz do vapor, indicado pela mudança de cor do indicador químico existente no pacote (de azul para rosa).

O teste biológico é a monitorização mais confiável, pois é feita com microorganismos tecnicamente preparados para demonstrar a eficácia da esterilização, são composições estabelecidas a partir de esporos bacterianos normalmente armazenados em ampolas e verificam a eficiência dos esterilizadores e somente eles podem detectar a morte dos esporos microscópicos dentro do esterilizador e isso explica o porquê da importância do controle de carga, processo pelo qual cada carga é monitorada e liberada com base no indicador biológico.

Recursos Humanos

O quadro de pessoal de uma CME deve ser composto por Enfermeiros, Técnicos de Enfermagem, Auxiliares Administrativos, Auxiliares de Higienização e Limpeza e atualmente algumas centrais de materiais e esterilização contém em seu quadro de funcionários, um Engenheiro Técnico, para controle, assistência técnica e manutenção dos equipamentos utilizados nesta unidade de serviço.

Aos auxiliares administrativos, compete a função de zelar pelas atividades administrativas, como agendamento de cirurgias a serem realizadas, compras de materiais de escritório, atendimento aos telefonemas da unidade, realização de pedidos de almoxarifado e também servir como elo entre o ambiente interno e externo da CME.

Ao auxiliar de higienização e limpeza, compete pela higienização da estrutura física da CME.

A equipe de enfermagem que trabalha nesta unidade presta uma assistência indireta ao paciente, e é tão importante quanto à assistência direta, que é realizada pela equipe de enfermagem que atende ao paciente nas unidades assistenciais.

Ao Enfermeiro Supervisor compete:
  •  Atua na coordenação do setor;
  •  Prever os materiais necessários para prover as unidades consumidoras;
  • Elaborar relatórios mensais estatísticos, tanto de custo quanto de produtividade;
  •  Planejar e fazer anualmente o orçamento da CME com antecedência de 04 a 6 meses
  •  Elaborar e manter atualizado o manual de normas, rotinas e procedimentos da CME, que deve estar disponível para a consulta dos colaboradores;
  •  Elaborar treinamentos e capacitação da equipe técnica;
  • Desenvolver pesquisas e trabalhos científicos que contribuam para o crescimento e as boas práticas de Enfermagem, participando de tais projetos e colaborando com seu andamento.
  • Manter-se atualizado acerca das tendências técnicas e científicas relacionadas com o controle de infecção hospitalar e com o uso de tecnologias avançadas nos procedimentos que englobem artigos processados pelo CME.
  • Participar de comissões institucionais que interfiram na dinâmica de trabalho do CME.
  • Compartilhar dos processos de seleção e admissão de novos funcionários, bem como dos processos de demissão.



Ao Técnico de Enfermagem compete:
  •         Fazer a leitura dos indicadores biológicos, de acordo com as rotinas da instituição;
  •         Receber, conferi, limpar e preparar os artigos consignados;
  •       Realizara limpeza, o preparo, a esterilização, a guarda e a distribuição de artigos, de acordo com solicitação;
  •         Preparar os carros e caixas para cirurgias;
  •         Preparar as caixas cirúrgicas;
  •         Realizar cuidados com artigos endoscópicos em geral;
  •         Monitorar afetiva e continuamente cada lote ou carga nos processos de esterilização;
  •       Revisar a listagem de caixas cirúrgicas, bem como proceder à sua reposição;
  •       Fazer listagem e encaminhamento de artigos e instrumental cirúrgico para conserto.
  •         Guardar e distribuir todos os artigos esterilizados


Referências




Enf. Amarildo de Souza Cunha
MBA em Gestão da Saúde e Administração Hospitalar



terça-feira, 3 de maio de 2016

Gestão de OPME dentro de um Hospital

Ao gerenciarmos uma unidade de serviço temos o objetivo de obter produtividade e harmonia no ambiente de trabalho, garantindo a todos os envolvidos no processo a segurança de que, o direcionamento do serviço está trilhando caminhos exatos.
Dentro de uma instituição hospitalar os materiais consignados, em especial os que são chamados de OPME (órtese, prótese e materiais especiais) representam um alto custo dos gastos hospitalares. A grande diversidade e o elevado custo requer uma gestão segura e racional.
Por isso, os objetivos de uma instituição hospitalar na gestão de OPME devem ser: Segurança do paciente, Eficiência operacional, Redução de desperdício e variabilidade, Relações comerciais e técnicas harmoniosas, Oferecer uma boa relação custo benefício para os materiais, Eliminação do risco de glosas/atrasos no faturamento, Inspirar confiança e resolubilidade, e com certeza Ser uma instituição economicamente viável.
Os dispositivos médicos hospitalários (OPME) representam uma das áreas mais complexas e incompreendidas no mundo da saúde, onde cada grupo possui determinadas características, como preço, giro, data de validade, prazos de entrega, dentre outras. Tornando estes um desempenho preponderante na balança das contas hospitalares, levando o serviço de suprimentos a manter todos os itens de OPME em uma proporção adequada de utilização.
Um dos interesses da Gerência de Suprimentos é evitar a falta de materiais quando solicitados, bem como manter um estoque mínimo dentro da organização, uma vez que os materiais especiais demandam um alto fluxo de caixa.
Outra grande preocupação da Gerencia de Suprimentos é com a logística praticada pelos distribuidores desses materiais, que por vezes compromete todo o plano de abastecimento, gerando insatisfação dos clientes internos: médicos, gerentes de unidades, coordenadores e a alta direção, bem como dos clientes externos: pacientes e as operadoras de saúde.
O Serviço de Suprimento Hospitalar deve ter uma variedade de fornecedores cadastrados em seu sistema, aqueles que atendam de maneira rápida a solicitação do OPME e que dê prazos para pagamento, visto que a conta hospitalar em que aquele material está incluso será somente pago pela operadora de saúde possivelmente no mês seguinte, quando fechar a competência do faturamento.
Há também a necessidade da implantação de rígidos controles no uso, porque pode haver uma tendência a consumir mais, determinado item, somente porque o mesmo está disponível ao uso. Entretanto há necessidade de várias marcas com disponibilidade de consignação de materiais especiais.
O gestor do Serviço de Suprimento necessita ter certo conhecimento de mercado, por maior que seja o seu grau de formação acadêmica, pois negociar é trabalhar com expectativas, preços praticados pelo mercado, qualidade e prazos de entrega.
Diversos recursos proporcionam a otimização dos resultados ao Serviço de Suprimento, tais como o cadastro de requisições praticadas pelas unidades de serviços, a organização dessas requisições para uma melhor compra, a confecção de planilhas comparativas de preços, realização e envio de cotações para os fornecedores, análise da melhor cotação por produto ou por fornecedor, avaliando neste item o preço e qualidade.
Portanto, é também importe trabalhar com um sistema de informação adequado e de confiança, permitindo a monitoração e integração de todo o fluxo, inclusive dispondo de instrumentos de apoio aos gestores, como os relatórios gerenciais. Uma vez que a eficiência no gerenciamento de todos os materiais especiais é indispensável para manter um estoque em níveis adequados, além de melhorar o planejamento de compras e solicitações de consignação.
Conclui-se que, para obter resultados efetivos na gestão de OPME dentro de uma organização hospitalar é necessário que haja uma equipe especializada, multidisciplinar, com conhecimento administrativo e técnico sobre os produtos a serem utilizados. Assim, o processo terá abrangência necessária: compatibilidade dos produtos com os procedimentos, escolhas de produtos similares nos quesitos de qualidade e funcionalidade; informações estas que darão maior coerência técnica nas negociações, procedendo em diminuição dos custos, maior transparência e otimização do processo.
Enfº Amarildo Cunha
MBA em Gestão de Saúde e Administração Hospitalar
Executivo de Vendas de Produtos Médicos Hospitalares