terça-feira, 3 de maio de 2016

Gestão de OPME dentro de um Hospital

Ao gerenciarmos uma unidade de serviço temos o objetivo de obter produtividade e harmonia no ambiente de trabalho, garantindo a todos os envolvidos no processo a segurança de que, o direcionamento do serviço está trilhando caminhos exatos.
Dentro de uma instituição hospitalar os materiais consignados, em especial os que são chamados de OPME (órtese, prótese e materiais especiais) representam um alto custo dos gastos hospitalares. A grande diversidade e o elevado custo requer uma gestão segura e racional.
Por isso, os objetivos de uma instituição hospitalar na gestão de OPME devem ser: Segurança do paciente, Eficiência operacional, Redução de desperdício e variabilidade, Relações comerciais e técnicas harmoniosas, Oferecer uma boa relação custo benefício para os materiais, Eliminação do risco de glosas/atrasos no faturamento, Inspirar confiança e resolubilidade, e com certeza Ser uma instituição economicamente viável.
Os dispositivos médicos hospitalários (OPME) representam uma das áreas mais complexas e incompreendidas no mundo da saúde, onde cada grupo possui determinadas características, como preço, giro, data de validade, prazos de entrega, dentre outras. Tornando estes um desempenho preponderante na balança das contas hospitalares, levando o serviço de suprimentos a manter todos os itens de OPME em uma proporção adequada de utilização.
Um dos interesses da Gerência de Suprimentos é evitar a falta de materiais quando solicitados, bem como manter um estoque mínimo dentro da organização, uma vez que os materiais especiais demandam um alto fluxo de caixa.
Outra grande preocupação da Gerencia de Suprimentos é com a logística praticada pelos distribuidores desses materiais, que por vezes compromete todo o plano de abastecimento, gerando insatisfação dos clientes internos: médicos, gerentes de unidades, coordenadores e a alta direção, bem como dos clientes externos: pacientes e as operadoras de saúde.
O Serviço de Suprimento Hospitalar deve ter uma variedade de fornecedores cadastrados em seu sistema, aqueles que atendam de maneira rápida a solicitação do OPME e que dê prazos para pagamento, visto que a conta hospitalar em que aquele material está incluso será somente pago pela operadora de saúde possivelmente no mês seguinte, quando fechar a competência do faturamento.
Há também a necessidade da implantação de rígidos controles no uso, porque pode haver uma tendência a consumir mais, determinado item, somente porque o mesmo está disponível ao uso. Entretanto há necessidade de várias marcas com disponibilidade de consignação de materiais especiais.
O gestor do Serviço de Suprimento necessita ter certo conhecimento de mercado, por maior que seja o seu grau de formação acadêmica, pois negociar é trabalhar com expectativas, preços praticados pelo mercado, qualidade e prazos de entrega.
Diversos recursos proporcionam a otimização dos resultados ao Serviço de Suprimento, tais como o cadastro de requisições praticadas pelas unidades de serviços, a organização dessas requisições para uma melhor compra, a confecção de planilhas comparativas de preços, realização e envio de cotações para os fornecedores, análise da melhor cotação por produto ou por fornecedor, avaliando neste item o preço e qualidade.
Portanto, é também importe trabalhar com um sistema de informação adequado e de confiança, permitindo a monitoração e integração de todo o fluxo, inclusive dispondo de instrumentos de apoio aos gestores, como os relatórios gerenciais. Uma vez que a eficiência no gerenciamento de todos os materiais especiais é indispensável para manter um estoque em níveis adequados, além de melhorar o planejamento de compras e solicitações de consignação.
Conclui-se que, para obter resultados efetivos na gestão de OPME dentro de uma organização hospitalar é necessário que haja uma equipe especializada, multidisciplinar, com conhecimento administrativo e técnico sobre os produtos a serem utilizados. Assim, o processo terá abrangência necessária: compatibilidade dos produtos com os procedimentos, escolhas de produtos similares nos quesitos de qualidade e funcionalidade; informações estas que darão maior coerência técnica nas negociações, procedendo em diminuição dos custos, maior transparência e otimização do processo.
Enfº Amarildo Cunha
MBA em Gestão de Saúde e Administração Hospitalar
Executivo de Vendas de Produtos Médicos Hospitalares

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Assistência Domiciliar a Pacientes após Infarto Agudo do Miocárdio

Assistência Domiciliar a Pacientes após Infarto Agudo do Miocárdio

O paciente após alta médica hospitalar de um Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) necessitará de alguns cuidados específicos que resumidamente gira em torno da mudança do seu estilo de vida e combates aos fatores de risco para um novo evento de IAM.

Daí a importância deste paciente, bem como os seus familiares ter o conhecimento para iniciar esta mudança de comportamento, e adquirirem autonomia para uma tomada de decisão mais consciente e condizente com sua atual realidade e necessidades de saúde.

Abaixo segue os principais cuidados para esta nova fase de vida do paciente após alta médica de um IAM.

Alimentação
A alimentação deverá ser individualizada, de acordo com o perfil do paciente. Preferencialmente,  caso haja necessidade um (a) nutricionista deverá ser consultado.  Procure oferecer a este paciente uma quantidade de calorias diárias que lhe permita atingir um peso adequado. 

Estudos científicos apontam que a ingesta diária de frutas, verduras e legumes, ajuda a prevenir  um  IAM.

Limite  a ingestão de Glossary Link sal, evite os alimentos ricos em colesterol os quais são exclusivamente  de origem animal (derivados do leite com alto teor de gordura, gordura aparente das carnes, gema dos ovos, pele das aves, miúdos, embutidos e certos  frutos do mar). Evite também as gorduras saturadas (frituras)  e as gorduras trans ou hidrogenadas (leia o rótulo de composição do alimento),  que são encontradas em alguns produtos industrializados como molhos, sorvetes, bolos e certos biscoitos.

Procure ingerir peixe, principalmente os ricos em ácido graxos ômega 3 (sardinha, truta, salmão  e bacalhau ), pelo menos duas vezes por semana. Os fitoesteróis  são substâncias antioxidantes  de origem vegetal e, podem ser encontrados em margarinas enriquecidas, que são uma ótima opção para substituir a manteiga ou as margarinas com gorduras hidrogenadas. Procure ingerir alimentos ricos em fibras  (frutas, verduras, legumes e cereais). Derivados de soja, grão integrais, Glossary Link nozes, assim como outros alimentos , apresentam efeitos comprovadamente benéficos sobre as gorduras do sangue e a aterosclerose. 

Os medicamentos
O paciente que sofreu um infarto do miocárdio (IAM) receberá na alta hospitalar, uma receita médica contendo vários medicamentos, estes deverão ser de uso contínuo e jamais deverão ser suspensos sem uma orientação médica. Mesmo após sua melhora clínica o uso é cotidiano, uma vez que estes previnem outras doenças que provoquem o IAM como é o caso dos antiplaquetários, que previnem o acúmulo de gorduras nas paredes das artérias coronárias, que são denominadas de Aterosclerose.

Combate dos fatores de risco 
Estatisticamente 90% dos pacientes que sofreram um IAM, apresentam um ou mais fatores de risco cardiovascular que podem ser modificados. Esses fatores de risco devem ser bombardeados, objetivando evitar novas e futuras complicações, a chamada prevenção secundária.

Os principais fatores de risco  são:
Tabagismo; o objetivo neste fator de risco é a abolição completa da prática de fumar.

Obesidade; a meta obter um índice de massa corporal inferior a 25 kg/m2 e uma circunferência abdominal inferior a 80 cm nas mulheres e 94 cm nos homens, como maneira de controlar é a prática de atividade física e uma alimentação saudável e balanceada.

Dislipidemias (anormalidades do colesterol e frações) a meta é manter o colesterol total inferior a 200mg/dl,  LDL- colesterol ou "colesterol ruim" inferior a 100m/dl ou 70mg/dl em pacientes de muito alto risco, HDL- colesterol ou "colesterol bom" maior que  40 nos homens ou maior que 50 mg/dl nos pacientes diabéticos e nas mulheres , triglicerídeos inferiores a 150 mg/dl.

Diabetes Mellitus; o objetivo é manter uma taxa glicêmica de jejum menor que 120mg/dl.

Hipertensão Arterial; a finalidade é manter pressão arterial em torno de 120/80 mmHg, idealizando uma PA abaixo de 140/100 mmHg.

Sedentarismo; para combater o sedentarismo o ideal é que este paciente faça exercícios físicos aeróbicos leves a moderados, pelo menos três vezes por semana, iniciando com 15 minutos, evoluindo a 30 minutos e a 45 minutos.

Estresse Psicossocial e depressão; melhora do quadro com acompanhamento familiar, psicológico, religioso e se necessário o uso de medicação conforme prescrição médica. 

Teste de Esforço Atenuado 
A solicitação de um teste de esforço, mais leve do que o habitual, poderá ser necessária em 4 a 10 dias após um IAM. Os dados deste exame, juntamente com outros parâmetros clínicos e do ecocardiograma (exame que analisa o coração através de ondas ultrassônicas), serão úteis para classificar os pacientes em baixo, médio e alto risco após a alta hospitalar. Esta classificação é muito útil.

Atividade sexual
Poderá ser reiniciada de 7 a 10 dias após a alta hospitalar naqueles pacientes que sofreram um IAM  sem complicações ou com complicações leves e que estão sem sintomas (pacientes de baixo risco ). Em pacientes de médio risco ou alto risco, o momento da liberação para atividade sexual ficará a critério do médico assistente. O uso de medicações para disfunção erétil deverá ter a prescrição do médico assistente.

Próxima consulta médica
O retorno ao consultório deverá ser estipulado pelo médico assistente, no entanto, a maioria dos pacientes precisará ser reavaliada dentro de no máximo 15 dias.

Retorno ao Trabalho  e as  Atividades Físicas
Os pacientes que sofreram um IAM sem complicações ou com complicações leves e que estão sem sintomas, poderão retornar ao trabalho dentro de duas a quatro semanas. Caso não haja uma contra indicação, as atividades físicas mais intensas poderão ser reintroduzidas também neste período, com caminhadas leves no plano, iniciando com 15 minutos  e aumentando este tempo gradativamente até atingir cerca de uma hora. Pacientes de médio e alto risco deverão ser reavaliados para o retorno ao trabalho e as atividades físicas. 

Exercícios Físicos e Reabilitação Cardíaca
Os exercícios físicos são fundamentais dentro de um programa de reabilitação cardíaca, o qual é obrigatório após o IAM. Esta reabilitação deverá ser iniciada ainda na unidade de terapia intensiva (fase hospitalar) e mantida após a alta hospitalar (fase ambulatorial).

A reabilitação cardíaca engloba um conjunto de medidas  que  permitem uma melhora das condições do sistema cardiovascular, mas também dos fatores de risco para as doenças cardiovasculares (reabilitação cardiometabólica). Em pacientes de médio e alto risco, a reabilitação cardíaca deverá ser supervisionada, ou seja, realizada inicialmente em uma clínica especializada.

Em pacientes de baixo risco, recomenda-se  caminhadas no plano, iniciando com 15 minutos, com incrementos gradativos até atingir uma hora , pelo menos três a cinco vezes por semana.

Atividades Esportivas
Caso não haja contra indicação, num momento oportuno,  recomenda-se a prática de marcha atlética, corrida de pequenas distâncias e tênis em duplas.

Squash, tênis individual, futebol e basquete devem ser evitados. Natação e hidroginástica requerem atenção especial quanto à temperatura da água da piscina, a qual deverá ficar entre 18 e 25 graus. 

Referências

Infarto Aguado do Miocárdio. Disponível em: <http://www.saudeemmovimento.com.br/conteudos/conteudo_frame.asp?cod_noticia=588> Acesso em 16 de Junho de 2015.

Infarto Aguado do Miocárdio: Orientações após alta hospitalar. Disponível em: <http://portaldocoracao.uol.com.br/infarto-do-miocardio/infarto-do-miocardio-orientaces-apos-a-alta-hospitalar> Acesso em 14 de junho de 2015.

Cuidados na alimentação do paciente que sofreu um infarto. Disponível em: <http://www.minhavida.com.br/alimentacao/materias/17787-cuidados-na-alimentacao-do-paciente-que-sofreu-um-infarto> Acesso em 15 de Junho de 2015.

Linha do cuidado do Infarto Agudo do miocárdio na rede de atenção as urgências. Disponível em: < http://www.saude.pr.gov.br/arquivos/File/HOSPSUS/protocolo_sindrome_coronariaMS2011.pdf> Acesso em 19 de Junho de 2015.

OLIVEIRA, Larissa Bertacchini; PUSCHEL, Vilanice Alves de Araújo. Conhecimento sobre a doença e mudança de estilo de vida em pessoas pós-infarto. Rev. Eletr. Enf. [Internet]. 2013 out/dez;15(4):1026-33. Disponível em: http://dx.doi.org/10.5216/ree.v15i4.18442. doi: 10.5216/ree.v15i4.18442.


Enfº Amarildo Cunha

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Gerenciamento de Riscos Hospitalares

Gerenciamento de Riscos Hospitalares

As instituições hospitalares estão cada vez mais preocupadas em garantir um atendimento de qualidade a seus clientes e colaboradores. Nesse domínio, a segurança do paciente, através do gerenciamento de riscos, tem ganhado evidência com a implantação de medidas de prevenção à exposição aos riscos, bem como aos prejuízos aos clientes e colaboradores decorrentes da assistência à saúde.

O enfermeiro juntamente com sua equipe permanece a maior parte do tempo na unidade de internação e em contato direto com o cliente, portanto esta é parte principal de uma equipe multiprofissional engajados no gerenciamento de riscos. Esta classe também é uma das mais sofre diante deste cenário tendo em vista o contato direto com estes riscos.

Gerenciamento de Riscos em Saúde é a aplicação sistemática e contínua de artifícios, procedimentos, comportamentos e recursos na avaliação de riscos e eventos adversos que afetam a segurança, a saúde humana, a integridade profissional, o meio ambiente e a imagem institucional.

O gerenciamento de risco na saúde foi introduzida no Brasil em 2001, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), constituindo-se em um programa de qualidade recente na prática dos colaboradores da saúde e largamente debatido na atualidade. Partindo deste princípio, a contínua adoção de novas tecnologias na área da saúde, em especial no âmbito da enfermagem, fez com que as organizações implantassem o gerenciamento de risco, sistematizando, assim, a supervisão dos eventos adversos, com a finalidade de ter maior segurança nas práticas realizadas.

A ANVISA relata que risco é a combinação da possibilidade do acontecimento de um erro e a seriedade deste erro.

Outro conceito fundamental de se entender no gerenciamento de riscos hospitalares é o evento adverso, que compreende um acontecimento que causa ou poderá causar resultados inesperados e/ou indesejados que comprometam a segurança de pacientes, usuários ou profissionais da saúde. Podendo este causar ou contribuir para lesão séria do paciente, progressão trágica da doença e até mesmo o óbito do paciente.

Os riscos existem, uma vez que errar faz parte da natureza humana, porém estes aumentam quando a equipe multiprofissional não está completamente preparada, treinada, devidamente dimensionada ou quando procedimentos, práticas, protocolos, técnicas, rotinas e equipamentos utilizados pelos colaboradores forem inadequados ou complexos.

Quanto às responsabilidades no gerenciamento de riscos em instituições hospitalares, esta é de todos, pois todos os colaboradores têm responsabilidades na prevenção de incidentes e na promoção da segurança.

No gerenciamento de riscos é primordial que todo e qualquer evento adverso seja notificado através de um sistema de notificação confiável, seguro, de fácil acesso e que permita agilidade do processo de notificar, evitando a desmotivação do colaborador de se realizar a notificação, além de permitir a rastreabilidade da informação.

O aprendizado de um erro deve ser incentivado entre a equipe multiprofissional, embora os erros sejam por falha de seguir processos estes devem ser analisados de forma multicausal, sem buscar por culpados. Sua análise dever servir para a busca da melhoria contínua, tendo em vista que a educação continuada é um grande passo para o gerenciamento dos riscos decorrentes da assistência a saúde.

O Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo juntamente com a Rede Brasileira de Enfermagem e Segurança do paciente aponta 10 passos fundamentais para a segurança do paciente:
·         Identificação correta do paciente: Fundamental para garantir a segurança do paciente em qualquer ambiente de cuidado à saúde.
·         Higienização das mãos: Proporcionando um cuidado limpo e seguro, reduzindo assim infecções relacionadas à assistência a saúde.
·         Conexões corretas: É o caso dos pacientes que utilizam sondas e cateteres. Uma conexão errada pode causar graves danos a saúde do paciente e até mesmo levá-lo ao óbito.
·         Cirurgia segura: Através da utilização do check list antes do procedimento cirúrgico. Cada serviço pode elaborar sua lista, esta vai depender do tipo de atendimento e grau de complexidade.
·         Administração segura: De medicamentos, sangue e seus hemocomponentes.
·         Envolver o paciente no seu tratamento: Ele melhor do que qualquer profissional conhece seus sinais e sintomas patológicos, bem como o histórico da sua saúde e da progressão da sua doença.
·         Comunicação efetiva: O paciente recebe atendimento de uma equipe multiprofissional e em diversos setores de um hospital, dessa forma todas as informações devem estar alinhadas a um alto grau de qualidade.
·         Prevenção de queda: Esta avaliação deve ser periódica para cada paciente, possibilitando aos profissionais o desenvolvimento de estratégias para sua prevenção.
·         Segurança na utilização tecnológica: Toda tecnologia é bem vinda à promoção, prevenção e recuperação de doenças, desde que seja utilizada de forma adequada e por profissionais capacitados para o manuseio destas.

Referencias

  • ·    Gestão do risco: Segurança do doente em ambiente hospitalar. RAMOS Susana; TRINDADE Lurdes. Nov/Dez 2011.
  • ·         10 Passos para a Segurança do Paciente. COREN/SP; REBRAENSP. São Paulo, 2010.
  • · Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Rede Sentinela. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/
  • ·        KUWABARA, Cleuza Catsue Takeda; ÉVORA, Yolanda Dora Martinez; OLIVEIRA, Márcio Mattos Borges de. Gerenciamento de risco em tecnovigilância: construção e validação de instrumento de avaliação de produto médico-hospitalar. Rev. Latino-Am. Enfermagem. Set/Out 2010.
  • COSTA, Veridiana Tavares; SCHLINDWEIN, Betina Hörner Schlindwein Meirelles; ERDMANN, Alacoque Lorenzini Erdmann. Melhores práticas do enfermeiro gestor no gerenciamento de risco. Set/Out 2013.

Enfº Amarildo Cunha

MBA em Gestão da Saúde e Administração Hospitalar

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Dia do Portador de Marcapasso - 23 de Setembro de 2014

                             IMPLANTE DE MARCAPASSO DEFINITIVO            
- O que é o marcapasso?
O marcapasso é um dispositivo eletrônico idealizado para corrigir determinadas doenças do coração, que reduzem a frequência dos batimentos cardíacos e produzem sintomas incapacitantes. O marcapasso artificial substitui o sistema elétrico natural do coração que, em condições normais, trabalha com cadência e frequência adequadas e responde de acordo com as necessidades do corpo humano.

- Como funciona o marcapasso?
O marcapasso é composto por um gerador (circuito eletrônico e uma bateria) e eletrodos, que são fios metálicos revestidos por uma fina camada de silicone. Conectados ao gerador, conduzem a eletricidade para o coração.
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Gerador de marcapasso

- Quando o marcapasso é utilizado?
O marcapasso é utilizado para aumentar a frequência cardíaca nas doenças que reduzem as propriedades elétricas do coração, também denominadas bradicardias ou bloqueios. Nos casos em que o problema é a frequência alta ou taquicardia, utiliza-se outro dispositivo, denominado cardiodesfibrilador implantável, que pode solucionar essa anormalidade.

- Como funciona o coração normal?
O coração tem a função de bombear o sangue para todos os órgãos e tecidos do corpo humano. Recebe o sangue que vem dos pulmões, onde vai buscar oxigênio, e daí o bombeia para o corpo todo. Isso acontece desde a vida intrauterina até a morte.
O coração possui quatro cavidades ou câmaras: dois átrios e dois ventrículos. O sangue que vem do corpo com baixa quantidade de oxigênio chega ao átrio direito e, através da valva tricúspide, passa para o ventrículo direito, que o bombeia para os pulmões através da artéria pulmonar. Nos pulmões, o sangue é oxigenado e retorna ao coração pelas veias pulmonares até o átrio e ventrículos esquerdos, que possuem pressão muito elevada e bombeiam o sangue para todo o organismo.
O sistema de condução elétrico do coração funciona com cadência, sincronismo e frequências que oscilam de acordo com as exigências do organismo. Um coração normal bate entre 60 a 100 vezes por minuto, 100 mil vezes por dia. Dependendo da exigência, o coração bate mais rápido ou mais lento. Por exemplo, durante um esforço físico acentuado e emoções fortes, pode bater até a 180 vezes por minuto; durante o sono, a frequência pode cair para 40 batimentos por minuto, e esses extremos são considerados normais em um atleta.

- O que é nó sinusal e nó atrioventricular?
O nó sinusal é o marcapasso natural do coração. É uma estrutura localizada na parte alta do átrio direito, formada por células especializadas que produzem sinais elétricos que precedem a contração do coração. O nó atrioventricular é outra estrutura cardíaca muito importante, localizada na junção entre o átrio e o ventrículo. Ele mantém o impulso durante milissegundos antes de passá-lo ao ventrículo e isso resulta em um sincronismo em que o átrio bate primeiro e em seguida o ventrículo bombeia o sangue proveniente do átrio.

- O que é um bloqueio atrioventricular?
É um bloqueio que se instala no nó ou junção atrioventricular. A condução dos sinais elétricos procedentes do nó sinusal sofre uma interrupção nesse local e não consegue passar para os ventrículos. O bloqueio pode ser parcial ou total. Para assegurar as funções vitais do organismo, outros centros elétricos do coração geram um ritmo auxiliar, que é muito lento. O implante de um marcapasso artificial soluciona essa situação.

- O que é insuficiência cardíaca?
Doenças que produzem comprometimento do músculo cardíaco (miocárdio) e das valvas ou causam isquemia aumentam o tamanho do coração e comprometem sua função. Nessas situações, surgem sintomas incapacitantes como falta de ar, cansaço fácil, dor no peito e tonturas, e sinais como palidez, pressão arterial baixa, cianose (coloração arroxeada das extremidades) e edema (inchaço) nas pernas e no abdome. O tratamento é feito com medicamentos, desobstrução das artérias coronárias, cirurgias para corrigir defeitos congênitos e adquiridos e implante de marcapasso ressincronizador que soluciona muitos desses transtornos.

- Como funciona o coração do paciente que necessita de marcapasso?
O paciente que necessita de marcapasso tem um coração lento, a chamada bradicardia. Batendo devagar, pode produzir sintomas como tonturas, vertigens, desmaios, cansaço, falta de ar e edema. Se o médico utilizar o marcapasso para que o coração volte a bater com frequência normal, haverá redução ou até mesmo desaparecimento dos sintomas.

- O que é arritmia cardíaca e quais os tipos existentes?
Arritmia é um ritmo cardíaco anormal, que pode ser irregular, acelerado ou lento. O ritmo irregular pode ser causado por numerosas arritmias, algumas benignas e outras malignas. A bradicardia significa ritmo lento e muitas vezes é provocada por bloqueios cardíacos, situações em que não há bombeamento adequado de sangue para o corpo. Taquicardia significa ritmo acelerado e, se a frequência for muito alta, o coração não encherá completamente e não haverá oxigênio suficiente para o corpo, o que pode provocar tonturas, desmaios, pressão arterial baixa e até parada cardíaca. A taquicardia mais perigosa é a fibrilação ventricular, em que o coração não bate, apenas treme, bombeando pouquíssimo sangue para o corpo. O paciente perde rapidamente a consciência e pode falecer. Para tratar a fibrilação ventricular, os médicos utilizam a desfibrilação, um choque forte no peito que provoca o retorno do coração ao ritmo normal. O choque pode ser proveniente de um aparelho desfibrilador com pás externas ou de um cardiodesfibrilador implantável (CDI), que é implantado no corpo por meio uma pequena cirurgia.

- Quais são as causas das arritmias?
Muitas condições e substâncias afetam o ritmo cardíaco, tais como isquemia cardíaca resultante da obstrução das coronárias, stress, processos degenerativos provocados por envelhecimento, diabetes, hipertensão, doenças pulmonares crônicas, doenças da tireoide, doenças renais, alterações de eletrólitos (sódio, potássio, cálcio e magnésio), processos inflamatórios e infecciosos, como a doença de Chagas e as viroses, doenças cardíacas congênitas e transtornos da gravidez. O ritmo cardíaco também pode ser alterado por medicamentos como antibióticos e antialérgicos e substâncias como álcool, cafeína, venenos etc.
http://www.deca.org.br/Publica/img/coracao.jpg 

- Como é o procedimento para colocar o marcapasso?
No mundo, milhões de pacientes já foram operados para receber um marcapasso. Atualmente, a cirurgia é considerada simples, de rotina, dura pouco mais de uma hora e o paciente pode ir para casa no mesmo dia ou no dia seguinte.
Quando avaliado pelo médico especialista, que indica a cirurgia, as etapas do procedimento são explicadas detalhadamente ao paciente, que pode alimentar-se até algumas horas antes do procedimento.
Após a limpeza rigorosa da região peitoral do lado esquerdo ou direito, o local abaixo da clavícula recebe anestesia local e é feita uma pequena incisão. Em seguida, o eletrodo do marcapasso é cuidadosamente introduzido por uma veia até o coração. O médico monitora o posicionamento correto do eletrodo no coração por meio de um sistema de raios X. Depois de testar a posição e o funcionamento do eletrodo, ele é conectado ao marcapasso, que é implantado em uma pequena “bolsa” sob da pele. Para finalizar, o médico fecha o local da incisão.
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Procedimento de implante de marcapasso realizado na sala de hemodinâmica.

- Como é o pós-operatório da cirurgia de marcapasso?
O paciente recupera-se em pouco tempo após o procedimento de implante. Os sintomas de tonturas e falta de ar costumam desaparecer imediatamente após a cirurgia. Pode haver dor ligeira no local do implante, mas esse desconforto em geral diminui rapidamente e em pouco tempo o paciente não sentirá mais nada.
Entretanto, o médico responsável pelo tratamento deverá ser consultado em caso da incisão cirúrgica ficar vermelha ou esquentar, inchar ou escorrer líquido e se o paciente apresentar febre, tontura, dores no peito, cansaço ou fraqueza importante. Nos primeiros dias após a intervenção, movimentos amplos com o braço do lado do marcapasso devem ser evitados.
Logo após o implante, haverá a primeira avaliação e o médico verificará a atividade cardíaca, as funções e os parâmetros do marcapasso. A programação será ajustada às necessidades individuais de cada paciente, o que é muito simples, pois o médico utiliza um aparelho externo denominado programador para a essa avaliação. Na maioria dos casos, o paciente nem percebe que o aparelho foi reprogramado.
A partir desse momento, o médico marcará acompanhamentos em intervalos regulares, geralmente a cada seis meses. Nesses exames, avalia-se detalhadamente o funcionamento do marcapasso e o estado da bateria.

- Onde o paciente fica após a cirurgia?
O paciente retorna ao leito, no quarto ou na UTI, e pode receber alta no dia seguinte.

- Quando o paciente que implanta um marcapasso pode retomar sua vida normal?
O tempo de recuperação difere entre as pessoas, mas a maioria dos pacientes poderá retomar suas atividades diárias habituais 30 dias após o implante.

- Depois da alta, o paciente pode levar uma vida normal? Há alguma restrição?
Normalmente, o paciente pode retomar o seu estilo de vida habitual poucos dias após o implante. Após 30 dias, depois que a incisão estiver completamente cicatrizada, poderá realizar tarefas domésticas, trabalhos de jardinagem, viajar e dirigir. Também poderá tomar banho de chuveiro, fazer fisioterapia, ginástica e nadar. No primeiro mês após a cirurgia, na maioria dos casos, o paciente poderá exercer sua profissão, dedicar-se a seus hobbies habituais, realizar novamente suas atividades esportivas ou sexuais sem problemas. Se tiver dúvidas ou sentir desconforto, basta consultar o médico.

- Qualquer pessoa pode colocar um marcapasso?
- Sim, desde que a indicação seja feita por um cardiologista, confirmada por exames habituais e baseada nas diretrizes das sociedades de cardiologia e dos departamentos de estimulação cardíaca.

- Existem contraindicações para utilizar um marcapasso?
Não se conhecem contraindicações absolutas à utilização dos marcapassos. Mas não devem ser implantados em pacientes com infecção ou sem perspectivas de melhora de sua doença. A idade e o estado clínico do paciente determinam o melhor tipo de marcapasso.

- Quais os riscos associados ao implante do marcapasso?
Um número muito pequeno de pacientes pode apresentar complicações durante a cirurgia para implante do marcapasso, que incluem pneumotórax (entrada de ar nos pulmões provocada pela agulha de punção das veias), hematomas, deslocamentos dos eletrodos, lesões de artérias e infecções. Essas complicações são normalmente corrigidas pelo especialista.

- Que cuidados o paciente deve ter com o marcapasso?
O portador de marcapasso deve fazer o repouso adequado logo após a cirurgia e realizar os retornos regulares ao médico especialista em marcapassos, que fará as revisões e as programações, visando ao bem-estar do usuário.

- O portador de marcapasso pode levar uma vida normal?
Sim, desde que não existam situações limitantes provocadas pela gravidade da doença cardíaca de base, como insuficiência cardíaca congestiva e arritmias graves.

- Quais são os benefícios associados ao marcapasso?
O marcapasso melhora a capacidade do coração de bombear o sangue regularmente e no momento adequado. Alguns pacientes dependem totalmente do marcapasso para fazer o coração bater. Quase todos deixam de sentir sintomas como tonturas, vertigens, desmaios, falta de ar e cansaço e sentem-se mais dispostos e com mais energia para as atividades habituais. Muitos se sentem mais seguros, porque o marcapasso mantém o coração em constante atividade.

- Existem interferências de aparelhos elétricos sobre os marcapassos?
A maioria dos aparelhos elétricos e eletrônicos de uso cotidiano não produz nenhuma interferência sobre o marcapasso. A rigor, apenas a ressonância magnética e o colchão magnético devem ser evitados, mas já existem marcapassos muito modernos que podem ser programados para que esses dois aparelhos possam ser utilizados.
Os marcapassos atuais são amplamente protegidos contra a influência de aparelhos elétricos-eletrônicos. Porém, se o portador sentir algum sintoma, como aumento do batimento cardíaco, pulso irregular ou tontura, enquanto estiver próximo de um aparelho elétrico, deverá afastar-se imediatamente ou desligá-lo. Em caso de dúvida, o médico deverá ser avisado sobre o evento.
Os seguintes aparelhos podem ser utilizados sem restrição: telefone celular, televisores, rádios, fones de ouvido, gravadores, aparelhos de som, Iphone, Ipad ou equipamentos audiovisuais similares, telefones sem fio, secadores de cabelos, barbeador elétrico, controle remoto, máquina de lavar roupa, aspirador de pó, enceradeira, ferro de passar roupa, forno micro-ondas, lava-louças, computador, aparelho de fax, copiadora, impressora, aparelhos de uso dos dentistas, medidores de pulso e pressão arterial, todos os aparelhos de cozinha etc.
Outros aparelhos e equipamentos requerem consulta ao médico. Deve-se observar os avisos dos fabricantes naqueles cuja utilização por portadores de marcapassos pode sofrer restrições: máquinas que geram fortes vibrações (furadeiras), aparelhos elétricos com fortes campos magnéticos, linhas de alta tensão, estações transmissoras de rádio, televisão ou radar, sistemas de ignição elétrica não blindados, radioterapia, eletrocauterização, litotripisia e estimulação neural, como a eletroacunpuntura.

- Quais são os cuidados ao portador de marcapasso durante uma viagem?
De modo geral, as viagens não são problema para os portadores de marcapasso, sejam por via aérea, marítima, ferroviária ou de automóvel. Não há restrição às viagens de carro e, por segurança, deve-se sempre utilizar o cinto de segurança, pois o marcapasso não é danificado por ele. Em viagens de avião, recomenda-se informar o pessoal de segurança ou de solo no aeroporto e mostrar a carteira de portador de marcapasso. O paciente será detalhadamente informado por seu médico sobre como se comportar frente ao sistema magnético em controles de segurança (detector de metais), que não costuma provocar nenhuma interferência sobre o marcapasso.

- O portador de marcapasso pode passar por controles de segurança no aeroporto e dispositivos antifurto em lojas?
Sim, pois os marcapassos são blindados contra interferências eletromagnéticas. Nos aeroportos, bancos e lojas, o paciente deve avisar que é portador de marcapasso e mostrar seu cartão de identificação, visto que a parte metálica do dispositivo pode disparar o alarme.

- O portador de marcapasso pode utilizar o telefone celular?
Sim. O telefone celular pode ser utilizado, pois os marcapassos modernos possuem filtros e circuitos especiais que impedem interferências eletromagnéticas.

- Quanto tempo dura o marcapasso?
Os marcapassos atuais têm duração aproximada de 10 anos, em média. Entretanto, a duração da bateria depende de algumas condições, como o tipo de marcapasso, a doença, o quadro clínico do paciente e a frequência de estimulação.

- O que é feito quando a bateria desgasta-se?
Se o paciente é acompanhado regularmente por seu médico, este indicará a troca do gerador de forma profilática, antes do desgaste total da bateria. Por isso, todos os pacientes devem ser avaliados de forma regular.

- Com que frequência o médico deve ser consultado para revisão do marcapasso e acompanhamento clínico?
Via de regra, os exames são realizados a cada seis meses. O médico informará o paciente sobre sua próxima consulta de acompanhamento. As datas das consultas são anotadas no cartão do marcapasso. A consulta é o momento adequado para o paciente comunicar-se com o médico e esclarecer quaisquer questões sobre o aparelho.

- Como são as avaliações do marcapasso após o implante?
A consulta deve ser realizada em uma clínica especializada em marcapassos. Após a anamnese (história clínica) e o exame físico, o médico ligará os eletrodos do eletrocardiograma ao tórax do paciente. Em seguida, colocará o cabeçote do programador sobre o marcapasso. O programador é um computador que se comunica com o gerador e este, com os eletrodos inseridos no coração. Esse aparelho visualiza e imprime informações sobre o coração e o marcapasso, tais como energia da bateria, performance dos circuitos e dos eletrodos. Assim, o médico poderá adaptar e escolher o melhor modo de programação para cada paciente.
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Cabeçote de programação do marcapasso.

- O marcapasso pode falhar?
Sim, como todo aparelho eletrônico. Entretanto, essa possibilidade é extremamente rara e os médicos especialistas em marcapassos estão preparados para solucionar possíveis falhas.

- O que é monitoramento remoto do marcapasso?
É a utilização de um telefone móvel e um computador para enviar a uma central distante informações sobre as condições de funcionamento do marcapasso e sobre as arritmias detectadas pelo sistema. As informações são processadas, interpretadas e o médico é comunicado sobre a eventual necessidade de comparecimento do paciente à clínica de marcapassos para revisão e correção das anormalidades.

- Como e quando o marcapasso é substituído?
Quando o médico detecta que há desgaste do gerador, o marcapasso deve ser trocado. A remoção é feita através de uma pequena intervenção cirúrgica, com anestesia local. Eletrodos em bom estado são mantidos no coração e um novo marcapasso é conectado a eles. Normalmente, apenas uma breve internação hospitalar é necessária.

- O marcapasso precisa ser reprogramado após o implante?
Sim e os parâmetros ideais a serem escolhidos dependerão do quadro clínico e das necessidades de cada paciente. Correções também podem ser realizadas posteriormente, durante as visitas ambulatoriais.

- O paciente percebe o funcionamento do marcapasso?
Normalmente não. O marcapasso produz apenas uma corrente elétrica muito fraca, que atua exclusivamente no coração. Entretanto, o médico deverá ser informado caso seja observada qualquer anormalidade como, por exemplo, a estimulação dos músculos próximos ao implante ou soluços de difícil controle.

- O marcapasso pode manter uma pessoa viva artificialmente?
O coração funciona apenas quando é suficientemente suprido com sangue oxigenado e nutrientes. Em caso de morte, os pequenos pulsos elétricos que o marcapasso envia para o coração não são mais efetivos. Portanto, não é possível prolongar artificialmente a vida.

- O marcapasso pode causar reações alérgicas?
Normalmente não. Os fabricantes utilizam apenas materiais bem tolerados pelo organismo humano, tais como titânio, aço inoxidável e materiais plásticos testados quanto a biocompatibilidade.

- O paciente recebe estimulação suficiente pelo marcapasso quando a bateria fica mais fraca?
Sim. Entretanto, o médico verifica o estado da bateria em cada uma das avaliações regulares de acompanhamento. Se a bateria estiver ficando fraca, o marcapasso será substituído por outro antes do esgotamento total da energia.

- Quais são os sinais e os sintomas que o portador de marcapasso deve ficar atento e comunicar ao médico imediatamente?
- Se o paciente notar que o local do implante está quente, vermelho, inchado, dolorido e com secreções;
- Se apresentar falta de ar, cansaço e alterações da frequência cardíaca, principalmente abaixo de 60 pulsos por minuto;
- Se sentir os mesmos sintomas que sentia antes do implante, como desmaios, tonturas, vertigens, falta de ar, inchaço nas pernas e no abdome e
- Se perceber que os músculos que envolvem o marcapasso ou os do diafragma (entre o tórax e o abdome) estão sendo estimulados.

- Para que serve o cartão identificador do marcapasso?
O cartão identifica o portador de marcapasso, cardiodesfibrilador ou ressincronizador. Contém informações sobre o dispositivo implantado, o nome do médico, da instituição e os telefones de urgência. Também é útil quando o paciente tem de passar por sistemas detectores de metais em aeroportos, bancos e lojas.

- O marcapasso limita a vida normal dos pacientes?
Uma das razões para o implante de um marcapasso é a possibilidade de melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Em casa, não terão quaisquer restrições de atividades. No trabalho, deverão ser orientados pelos médicos sobre as atividades que poderão desempenhar.

- O portador de marcapasso poderá praticar esportes e atividades de lazer?
O marcapasso não compromete a vida e o lazer dos pacientes que não apresentam limitações físicas e não possuem insuficiência cardíaca ou arritmias incapacitantes. Entretanto, é prudente evitar esportes de contato, como futebol e lutas marciais. Também deve ser evitado o esforço repetitivo da parte superior do corpo, como o levantamento de grandes pesos. Esportes leves, como natação, ginástica e hidroginástica, estão liberados. Antes de iniciar qualquer atividade física, é sempre bom consultar o médico.

- Quais são os modelos de marcapassos existentes?
Os primeiros geradores de marcapasso criados no final dos anos 1950 eram muito grandes, tinham o tamanho de uma lata de graxa para sapatos e a bateria durava menos de um ano. Hoje em dia, os geradores são muito pequenos e duram até 10 anos. Os dispositivos conseguem estimular até três câmaras do coração. Os mais simples estimulam apenas uma câmara, geralmente o ventrículo direito, e são denominados marcapassos de câmara única ou unicamerais. Os que estimulam duas câmaras são conhecidos como de dupla-câmara ou bicamerais e estimulam o átrio e o ventrículo direitos. Os de três câmaras são denominados ressicronizadores átrio-biventriculares ou marcapasso multissítio.
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Marcapasso de câmara única ou unicameral,
que estimula apenas um ponto do coração.
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Marcapasso de dupla-câmara, que estimula
dois pontos do coração: átrio e ventrículo.

- O que é um marcapasso ressincronizador?
Quando afetado por doenças, o músculo do coração (miocárdio) perde a capacidade de se contrair de forma adequada e provoca atrasos (descompasso) entre os ventrículos, fenômeno conhecido como dissincronia. Os aparelhos idealizados para solucionar essa alteração são denominados marcapassos ressincronizadores.

- O que é um marcapasso com sensor?
O sensor é um dispositivo que faz parte do circuito dos marcapassos modernos e tem como função aumentar a frequência cardíaca quando necessário, por exemplo, durante esforço físico ou emoções, mantendo assim a fisiologia do sistema cardiovascular. Quando o paciente para para descansar, o marcapasso diminui a frequência cardíaca.


Disponível em: <http://www.deca.org.br/Publica/SobreSeuCoracao_Marcapasso.aspx>. Acesso em 23 de setembro de 2014.