terça-feira, 15 de maio de 2012

Assistência de Enfermagem no Infarto Agudo do Miocárdio


 Assistência de Enfermagem Infarto Agudo do Miocárdio


                                                                Conceito

Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) se refere à morte de parte do músculo cardíaco (miocárdio), que ocorre de forma rápida devido à obstrução do fluxo sanguíneo das artérias coronárias para o coração.

Oclusão coronariana, ataque cardíaco e IAM são sinônimos, mas o termo preferido é IAM

Fisiopatologia

O suprimento de sangue para o coração é feito através das artérias coronárias, que surgem diretamente da artéria aorta.

Geralmente o IAM é causado pelo fluxo sanguíneo reduzido de uma artéria coronária devido a ruptura de uma placa aterosclerótica e a subseqüente oclusão da artéria por um trombo (placa de gordura) que obstrui a passagem de sangue para o miocárdio.

Quando estas placas de gordura causam obstrução ao fluxo sanguíneo das coronárias para o coração, o músculo cardíaco sofre pela falta de sangue/oxigênio e começa a morrer. Por isso, o tratamento deve ser feito rapidamente, no sentido de desobstruir as artérias coronárias e evitar a morte do músculo cardíaco.

A área de infarto se desenvolve de minutos a horas. Pois a medida que as células são privadas de O2, a isquemia se desenvolve, ocorrendo, a lesão celular e a falta de O2 resulta na em infarto ou morte das células.

Resumindo a principal causa do IAM está relacionada à presença de uma Doença Arterial Coronariana (DAC). Que é uma doença onde há a deposição de placas de gordura por dentro das paredes das artérias coronárias.

Outras causas

·         Espasmo coronariano (colabamento das paredes das artérias coronárias), impedindo o fluxo sanguíneo ao coração. Embora não se saiba ao certo o que causa o espasmo das artérias coronárias, muitas vezes esta condição está relacionada a: Uso de determinadas drogas, como a cocaína, Dor intensa ou estresse emocional, Exposição ao frio extremo, Tabagismo.
·         Suprimento de oxigênio diminuído: Devido a uma perda sanguínea aguda, anemia ou hipotensão.
·         Demanda aumentada para oxigênio: como  ocorre na taquicardia, ingestão de cocaína

Manifestações clínicas

Dor torácica; Palpitações; Dispnéia; Indigestão, Náuseas e vômitos; Ansiedade; Medo; Sensação de morte iminente.

Fatores de risco

Modificáveis: Tabagismo, Hipertensão arterial, Colesterol alto, Sobrepeso e obesidade, Sedentarismo, Diabetes Mellitus.

Não modificáveis:
·         Idade: o risco aumenta para homens acima de 45 anos ou para mulheres acima de 55 anos (ou após a menopausa).
—  História familiar de doença arterial coronariana (DAC): O risco aumenta se o pai ou um irmão foi diagnosticado com DAC antes de 55 anos de idade, ou a sua mãe ou uma irmã foi diagnosticada com DAC antes de 65 anos de idade.

Diagnóstico

—  Sinais e sintomas apresentados pelo paciente;
—  Histórico familiar;
—  ECG;
—  Exames laboratoriais: dosagens das enzimas cardíacas (Troponina CK-Total, CK-MB, Mioglobina TGO e LDH.
—  Angiografia coronariana: Cateterismo cardíaco, que é a introdução de um cateter nas artérias do coração, verificando se há obstrução coronariana. Caso seja encontrado realiza-se a angioplastia (desobstrução coronária e restauração do fluxo sanguíneo para o coração).

Prevenção

—  Evitar o tabagismo;
—  Dieta balanceada;
—  Monitorar e tratar HAS e DM;
—  Controlar e tratar o colesterol,
—  Praticar atividade física.
—  Perda de peso;

Classificação de Killip

Esta classificação é baseada em dados clínicos que estudam a gravidade da insuficiência ventricular nos pacientes com IAM. Muito usada na avaliação da mortalidade em geral.
—  Killip I: Sem dispnéia, terceira bulha ou estertoração pulmonar. Mortalidade de 6%;
—  Killip II: Dispnéia e estertoração pulmonar nos 1/3 inferiores do tórax. Mortalidade de 17%;
—  Killip III: Edema agudo de pulmão. Mortalidade de 38%;
—  Killip IV: Choque cardiogênico. Mortalidade de 81%.

Tratamento

·         Oxigênioterapia;
—  Angioplastia coronariana;
—  Medicamentos: Anticoagulantes, trombolíticos, analgésicos, anti-hipertensivos, beta-bloqueadores (diminuem a sobrecarga do coração)

Diagnósticos de Enfermagem

·         Risco de troca de gases prejudicada relacionada com a sobrecarga de líquidos.
Meta: Ausência de dificuldades respiratórias.

·         Perfusão tissular cardíaca ineficaz relacionada com o fluxo sanguíneo coronário reduzido.
Meta: Alívio da dor/desconforto torácico.

·         Ansiedade
Meta: Diminuição da ansiedade.

·         Risco de perfusão tissular periférica ineficaz relacionada ao débito cardíaco diminuído.
Meta: Manutenção/obtenção da perfusão tissular adequada.

·         Déficit de conhecimento sobre o auto-cuidado pós IAM.
Meta: Adere ao programa de cuidados de saúde domiciliar.
           Escolha o estilo de vida compatível com recomendações saudáveis para o coração.

Assistência de Enfermagem

Cuidados Imediatos:
—  Avaliar, documentar e informar ao Enfermeiro supervisor ou Médico os sinais e sintomas do IAM.
—  Verificar sinais vitais;
—  Realizar ECG;
—  Monitorizar o paciente;
—  Administrar oxigênioterapia;
—  Administrar medicamentos conforme prescrição ou orientação médica;
—  Elevar a cabeceira do leito do paciente;
—  Garantir ambiente calmo e tranqüilo.

Cuidados Diários:
—  Manter oxigênioterapia e monitorização cardíaca;
—  Verificar sinais vitais a cada 2 horas;
—  Controle hídrico rigoroso (evitar sobrecarga cardíaca);
—  Prestar cuidados de higiene no leito;
—  Administrar medicamentos prescritos;
—  Manter ambiente tranqüilo;
—  Orientar os familiares a evitarem conversas excessivas e assuntos desagradáveis;
—  Oferecer dieta leve, hipossódica e hipolipídica;
—  Oferecer informações pertinentes (apoio emocional e psicológico);
—  Orientar o paciente para alta hospitalar.

Referência bibliográfica

—  Brunner e Suddarth – Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. Volume 1 - 11ª edição. Guanabara Koogan. Capítulo 28- Cuidados aos Pacientes com Distúrbios Vasculares Coronarianos.

Por: CUNHA, Amarildo de Souza. Enfermeiro especializando em Enfermagem em Terapia Intensiva.









terça-feira, 1 de maio de 2012

INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM NA CETOACIDOSE DIABÉTICA


INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM NA CETOACIDOSE DIABÉTICA

INTRODUÇÃO

A cetoacidose diabética (CAD) está entre as complicações agudas mais graves do diabetes mellitus (DM), e apresenta um índice significativo de morbimortalidade, portanto deve ser prontamente diagnosticada e efetivamente tratada.

O nível normal de glicose na corrente sangüínea varia entre 70 à 110 mg/dl. Na cetoacidose diabética a glicemia é elevada entre 250 à 1000 mg/dl, além disso o pH sangüíneo é diminuído (< 7,35).

A CAD é caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica e cetonemia. A hiperglicemia nesta circunstância é freqüente, entretanto não obrigatória. Pois crianças pequenas ou parcialmente tratadas, assim como adolescentes grávidas, podem apresentar CAD com níveis de glicemia quase normais o que chamamos de cetoacidose euglicêmica.

ETIOLOGIA

A CAD é causada por deficiência relativa ou absoluta de insulina e elevação do nível dos hormônios contra-regulatórios (glucagon, catecolaminas, cortisol e hormônio do crescimento), com conseqüente aumento da gliconeogênese, glicogenólise, alteração na utilização periférica da glicose, lipólise e transformação dos ácidos graxos livres em corpos cetônicos.

FATORES DESENCADEANTES

Não adesão ao tratamento do DM, infecção, uso inadequado de insulina, alimentação incoerente a do paciente com DM, uso de alguns imunossupressores, altas doses de glicocorticóides, trauma, pancreatite, interrupção inapropriada de insulina com infusão contínua.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

Polidpsia, fraqueza, poliúria, náuseas, vômitos, desidratação, emagrecimento, hálito cetônico, febre associada à infecção, turgor da pele diminuído, alteração do estado mental, hiperventilação compensatória, respiração de Kusmaull, mucosas e pele secas.
·         Respiração de Kussmaul: Respirações profundas - hiperventilação na tentativa de diminuir a acidose.

PLANO DE CUIDADOS – ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM

As principais intervenções de enfermagem têm por objetivos impedir a cetogênese, corrigir a hiperglicemia, a desidratação, os desequilíbrios eletrolítico e ácido-básico.

·         Lavar as mãos antes de cada atividade de cuidado do paciente e após as mesmas, com o objetivo de evitar o risco de infecção;

  • Oferecer dieta para diabéticos e incentivar ingestão hídrica;

·         Monitorizar sinais vitais a cada 15 min, até que a condição do paciente esteja estável. A seguir a cada 1 hora. Comunicar ao médico em relação a: FC > 120 bpm ou PA < 90/60 ou redução > 20 mmHg a partir dos dados iniciais. Avaliar e registrar a freqüência e profundidade da respiração;

·         Se for instalado cateter para monitorização de PVC e PAM, comunicar quando houver redução > 10 mmHg na PAM a partir dos dados iniciais e PVC < 2 mmHg;

·         Instalar e controlar rigorosamente a hidratação EV, conforme prescrito. Ficar atento a sinais de sobrecarga hídrica: distensão da veia jugular, dispnéia, crepitações (estertores), PVC > 6 mmHg;

·         Se prescrito, instalar e controlar as soluções de reposição de eletrólitos e bicarbonato;

·         Realizar glicemia capilar de acordo com prescrição médica, de enfermagem ou protocolo de insulina;

·         Instalar e controlar rigorosamente a infusão contínua de insulina regular endovenosa em bomba de infusão, prescrita pelo médico ou conforme procedimento de controle da glicemia;

·         Monitorizar a glicose do sangue enquanto usar infusão de insulina. Comunicar ao médico, se a glicose do sangue cair mais rápido do que 100 mg/dL/h, ou se cair para < 250 a 300 mg/dL;

·         Se a opção médica for não utilizar infusão contínua de insulina endovenosa, a administração de insulina regular deve ser feita por via intramuscular (IM) ou subcutânea (SC), sob prescrição.

·         Avaliar sinais de hipoglicemia como: sudorese, taquicardia, sonolência, desorientação.

·         Monitorizar Balanço Hídrico. Observar estado hídrico, mucosa oral seca, redução no débito urinário < 0,5ml/kg/h, comunicar alterações.

·         Monitorizar arritmias cardíacas, inclusive distúrbio do ritmo e da condução.

·         Avaliar o nível de consciência e o estado respiratório, em especial, desobstrução de vias aéreas, a intervalos freqüentes. Manter material de intubação, ambu e máscara, além de oxigênio suplementar, à cabeceira. Avisar o médico a respeito de mudança na condição do paciente.

·         Evitar o uso de procedimentos invasivos uma vez que o paciente com diabete corre maior risco de infecção bacteriana. Trocar curativos de inserção do cateter central e trocar os acessos periféricos, conforme a padronização institucional. Os cateteres centrais devem ser retirados assim que possível.

·         Monitorizar sinais e sintomas sistêmicos e localizados de infecção. Examinar os locais de inserção de cateteres quanto a sinais de infecção localizada, como eritema, edema ou drenagem purulenta. Documentar a presença de qualquer um desses indicadores e consultar o médico, quando necessário.

·         Usar técnica asséptica de forma criteriosa ao inserir ou manipular os cateteres.

·         O uso de cateter vesical de demora é indicado apenas quando a monitorização do débito urinário for essencial, devido ao risco aumentado de infecção.

·         Proporcionar adequada higiene oral.

·         Proporcionar um bom cuidado da pele, manter sua integridade. Investigar áreas de redução de sensações nas extremidades. Usar colchão de alívio de pressão na cama para ajudar a evitar agravo da pele.

·         Reduzir a probabilidade de lesão por quedas, mantendo a cama na posição mais baixa, com as grades erguidas, além de utilizar contenções, se necessário.

·         Para minimizar o risco de aspiração elevar a cabeceira a um ângulo de 45 graus e inserir sonda gástrica em pacientes comatosos, conforme prescrito.

ORIENTAÇÕES PARA ALTA HOSPITALAR – PARA SEGUIMENTO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA

·         Oferecer instruções com termos simples, incorporando o ensino do paciente às rotinas de cuidado diário do mesmo.

·         Explicar a relação da doença e o estresse.

·         Enfatizar a importância da adesão a todo o tratamento de diabete, inclusive o planejamento das refeições, o uso das medicações, a realização de exercícios físicos, cuidados de higiene dos pés, e a constante monitorização da glicemia capilar.

·         Explicar as possíveis conseqüências da omissão de insulina;

·         Realizar periodicamente os exames necessários para acompanhamento da evolução da doença e do tratamento proposto

·         Familiarizar o paciente e os responsáveis no reconhecimento clínico de hipoglicemia e hiperglicemia

·         Investir na abordagem multidisciplinar da doença.

·         Referenciar o paciente a uma Unidade Básica de Saúde ou ao especialista que fará a programação do tratamento e continuidade do atendimento.

·         Tratar adequadamente as comorbidades.

CONCLUSÃO

Uma assistência de enfermagem humanizada e de qualidade é de fundamental importância para o tratamento do paciente com CAD, uma vez que esta complicação do DM requer um tratamento rigoroso e complicado, pois este paciente necessita de todo um suporte técnico, utilizando equipamentos de última geração e procedimentos complexos da equipe de enfermagem e demais membros da equipe multidisciplinar.

Portanto é necessário um constante aperfeiçoamento por parte dos profissionais de assistência, uma vez que é alto o índice de pacientes com CAD, e uma assistência adequada possibilita uma diminuição das complicações da referida patologia.

REFERÊNCIAS

·         Hohl A, Bathazar APS. Projeto Diretrizes Diabetes Mellitus: Cetoacidose – Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, 2005.

·         BRUNNER, Lillian S. Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica - 8ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan 1998.

·         Oliveira PEJ, Milech A, Zajdenverg L et al. Cetoacidose Diabética em Adultos – Atualização de uma complicação antiga. Arq Bras Endocrinol Metab. 2007; 51(9): 1434-47.

  • KNOBEL, Elias. Condutas no paciente grave. v.1, 3ª ed., São Paulo: Atheneu 2006.

·         GROSSI, Sonia Aurora Alves. O manejo da cetoacidose em pacientes com Diabetes Mellitus: subsídios para a prática clínica de enfermagem. Ver Esc Enferm USP. 2006; 40(4): 582-6.

POR

·         CUNHA, Amarildo de Souza. Enfermeiro pela Faculdade Pitágoras de Ipatinga/MG. Especializando em Terapia Intensiva pelo Centro Universitário do Leste de Minas Gerais.